Os dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o emprego bancário segue em queda nesse primeiro trimestre de 2025. Ao todo foram eliminadas 1.197 vagas — número 67,8% superior ao registrado no mesmo período de 2024.

Considerando todo o ramo financeiro, é possível verificar um aumento em atividades como crédito cooperativo, serviços auxiliares e os serviços ligados a seguros, apresentando mais de 10,5 mil novas vagas no período.

A análise por área ocupacional revela que o maior impacto ocorreu nas atividades diretamente relacionadas à função bancária, com retração de 9.105 postos em um ano, atingindo principalmente caixas, escriturários e gerentes. As áreas administrativa e de atendimento ao público também apresentaram saldos negativos, ainda que em menor escala.

Para Carlos Pereira Araújo (Carlão), coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, os dados do Novo Caged confirmam o que o movimento sindical vem denunciando nos últimos anos, que a redução do emprego bancário e ampliação de outras formas de contratação faz parte da política de precarização imposta pelos bancos. “O fechamento de agências e de postos de trabalho, a redução drástica do atendimento presencial jogando os clientes para os canais digitais e correspondentes bancários, assim como a crescente terceirização e pejotização nas contratações, sobretudo após a reforma trabalhista, refletem a política de precarização imposta pelos bancos”, afirma.

Nesse contexto, Carlão ressalta que as novas contratações são feitas num modelo precário de trabalho, não respeitando as conquistas históricas da categoria. “A maioria desses novos empregos não tem a garantia dos benefícios que conquistamos enquanto categoria nas últimas décadas, pelo contrário, boa parte desses trabalhadores estão sendo expostos inclusive a jornadas extenuantes com escala 6×1. Por isso, é fundamental a gente se unir ao movimento nacional da classe trabalhadora pelo fim da escala 6×1 e fortalecer a luta pela escala 4×3, sem redução salarial e com a manutenção da nossa jornada de 6h diárias, que a gente vem debatendo e reivindicando nas últimas campanhas salariais, a fim de garantir mais qualidade de vida para os trabalhadores e abertura de novas vagas de emprego digno”, explicou Carlão.

 

TI é única com crescimento

Na contramão desse cenário, a área de Tecnologia da Informação (TI) foi a única com crescimento significativo: foram criadas 1.842 vagas em 12 meses. O dado evidencia a reconfiguração do setor, com corte de funções tradicionais e ampliação de postos ligados à tecnologia.

Desigualdade de gênero se acentua

Os dados do Novo Caged também revelam uma preocupante desigualdade de gênero no setor bancário. Das 1.197 vagas fechadas no primeiro trimestre de 2025, 66,5% correspondiam a mulheres. Houve 17% menos admissões e 98% mais desligamentos de mulheres em relação aos homens. Esse cenário está diretamente relacionado ao crescimento das áreas de tecnologia, tradicionalmente ocupadas por homens.

Os dados alarmantes confirmam a urgência do programa “Mais mulheres na TI”. Conquistado recentemente na última renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o programa prevê o custeamento, pelos bancos, de 3100 bolsas de estudo para que mulheres sejam capacitadas em tecnologia da informação (TI), a área que mais cresce no sistema financeiro atualmente.

No mês passado foram oferecidas 1000 novas vagas, na segunda fase do programa, para a bolsa de estudo do curso “FrontEnd: minha primeira página web”, e a procura vem excedendo e muito as expectativas.

Para Bethania Emerick, secretária de mulheres do Sindicato dos Bancários/ES, a procura elevada mostra que existe uma demanda e que a reivindicação do movimento sindical na mesa de negociação de Igualdade de Oportunidades foi assertiva. “A iniciativa de oferecer vagas de capacitação em TI para mulheres representa um passo crucial para promover a equidade de gênero no mercado de trabalho. Ao proporcionar espaços de aprendizado e desenvolvimento de habilidades técnicas, essas vagas abrem portas para que mulheres possam ingressar e prosperar em um setor historicamente dominado por homens”, ressaltou.