Empresas que experimentaram semana de trabalho de 4 dias querem consolidar modelo

17/03/2023 09:04

A maioria das empresas aprovou a jornada reduzida, destacando que houve impacto positivo sobre o desempenho, a produtividade e o bem-estar dos funcionários

  1. Em 2022, durante as negociações da Campanha Nacional, a categoria bancária incluiu na minuta de reivindicações a redução da jornada de trabalho. Num primeiro momento, parte dos bancários viu a redução da jornada de trabalho como uma proposta tentadora, mas ao mesmo tempo distante. A prática, porém, está mostrando que a semana de quatro dias de trabalho é uma realidade muito mais próxima do que se imagina. Empresas de países da Europa e dos Estados Unidos que experimentaram o modelo aprovaram a jornada reduzida.

Reportagem da BBC News Brasil mostrou um levantamento feito no Reino Unido pela organização de pesquisa Autonomy, que propôs às empresas a aplicação da jornada de trabalho reduzida com seus quase três mil empregados por um semestre, sem qualquer desconto salarial aos funcionários. Esse estudo apontou que 38 das 61 empresas decidiram manter a jornada semanal de quatro dias por mais tempo. Dezoito delas, no entanto, já se convenceram que a jornada reduzida é positiva e decidiram adotar o modelo em caráter definitivo. 

Ainda, segundo a reportagem da BBC, outro levantamento feito no ano passado nos Estados Unidos e na Irlanda, com 33 empresas voluntárias, também por seis meses, registrou impacto positivo sobre o desempenho, a produtividade e o bem-estar dos funcionários. Os profissionais que tiveram a jornada semanal reduzida relataram menos estresse e fadiga e maior satisfação e equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. 

Reivindicação histórica

Bethânia Emerick, dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES), afirma que a pauta da redução da jornada de trabalho sem diminuição de salários é uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro. “O formato que temos hoje, a semana de cinco dias, é uma conquista crucial para os trabalhadores e trabalhadoras que, no passado, trabalhavam exaustivamente durante seis dias e com uma carga horária de até 18h diárias”, recorda Bethânia. 

Comparando as experiências de jornada reduzida que já acontecem com mais frequência em outros países, como mostraram os exemplos acima, o Brasil ainda está numa fase embrionária, pondera a dirigente. “Mas é justamente por isso que o tema deve ser pauta em todas as discussões possíveis, a fim de colocar o país na vanguarda da melhoria nas condições de trabalho”, sublinha Bethânia. 

Como demonstraram os resultados dos estudos preliminares realizados em algumas empresas ao redor do mundo, a redução da jornada de trabalho, além de ser benéfica em vários sentidos para os trabalhadores – saúde, bem-estar, qualidade de vida, por exemplo -, também traz resultados positivos para as empresas que adotam o modelo. “Vimos nos relatos das empresas que adotaram a semana de quatro dias que houve aumento da produtividade, diminuição do absenteísmo [faltas e atrasos], dos casos de adoecimento decorrentes do estresse no trabalho e até diminuição dos custos”, pontua.

Segundo a dirigente, a luta pela redução da jornada é uma pauta cara e por isso já incluída na minuta de reivindicações na última Campanha Salarial dos bancários. “Nossa categoria tem sido fortemente massacrada nas questões de qualidade de vida no ambiente de trabalho. Além de garantir mais bem-estar e tempo livre para a classe trabalhadora, a proposta pode ajudar a reduzir o desemprego e proteger o meio ambiente”, conclui Bethânia.