Diretoras e diretores do Sindicato dos Bancários/ES fizeram ato em frente à agência Banestes Valores, na Enseada do Suá, em Vitória, na manhã desta terça-feira, 12. Enquanto o presidente da instituição, Amarildo Casagrande, apresentava para cerca de 30 convidados os resultados do banco referentes ao terceiro trimestre de 2019, o Sindicato cobrava do lado de fora o compromisso do governador Renato Casagrande de manter o Banestes público e estadual. “Estamos aqui para exigir o cancelamento imediato do processo de terceirização em curso, que pretende entregar para iniciativa privada áreas de tecnologia do banco. O governador assinou um termo se comprometendo a não terceirizar o Banestes e só fazer contratações por meio de concurso. Estamos aqui para cobrar esse compromisso”, discursou o coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire, em alto e bom som para que a mensagem rompesse as paredes de vidro pudessem ser ouvida pelo presidente do banco.
Talvez querendo se apressar para se livrar do infortúnio do ato que ocorria simultaneamente na porta da agência, Amarildo Casagrande só precisou de 20 minutos para exibir umas lâminas no Datashow que ilustravam os já esperados bons resultados do banco. Amarildo comemorou o lucro líquido de R$ 167 milhões, resultado 22,6% superior no comparativo ao terceiro trimestre de 2018. O Banestes também registrou resultados positivos no faturamento de cartões de crédito: R$ 2,2 milhões, crescimento de 14,7% em relação a 2018; o patrimônio líquido também aumentou em 8,9% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, saltando para R$ 1,6 bilhão – o retorno sobre o patrimônio líquido médio (RCE) foi de 14,1%.
“Os resultados positivos do Banestes são mais uma prova inconteste de que o banco tem de se manter público e estadual. É preciso parar imediatamente com esse processo de terceirização e retomar as contratações dos concursados”, afirmou Jonas Freire. Ele destacou também que o Banestes, na condição de banco e estadual, deve se manter focado no desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo. “Os bancos públicos, isso vale para todos, não podem perder de vista o compromisso com social e não com os lucros. Há hoje uma interpretação equivocada de que os bancos públicos precisam copiar o modelo de gestão dos bancos privados como único caminho para a garantia da sobrevivência. Isso não é verdade e os resultados comprovam isso”, sublinhou Jonas.
Bolo sem Casagrande
O ato também teve um momento bem-humorado reservado para o final. Um bolo oferecido aos que flanavam pela avenida dos Navegantes naquela hora da manhã, ironizava o lucro de R$ 167 milhões do Banestes em contraponto à política de gestão do banco, que impõe a terceirização de áreas estratégicas, como a de tecnologia, e se recusa a convocar concursados para melhorar a qualidade do atendimento à população e reduzir a carga de trabalho sobre os empregados.

Foto: Sérgio Cardoso
Como já esperado pelo Sindicato, o governador Renato Casagrande não compareceu ao evento do Banestes, segundo sua agenda oficial, ele estaria no mesmo horário em Presidente Kennedy (extremo sul do Estado) participando do primeiro “Fórum Desenvolvimento e Inovação – o Futuro do ES”.
Mesmo ausente, o primeiro pedaço do bolo foi oferecido simbolicamente ao governador. “Queríamos dizer para ele que, antes de saborear os bons resultados do banco, é preciso cumprir os compromissos assumidos com a população capixaba e com os banestianos. Afinal, ele cravou sua assinatura no termo se comprometendo a não terceirizar o banco. Ele não veio, mas temos certeza de que receberá nosso recado: ‘Casagrande, está de pé ou não o seu compromisso de mante o Banestes público e estadual’”, provocou Jonas.

