O Santander marcou um gol contra ao comunicar na semana passada que não vai abonar as horas trabalhadas dos funcionários e das funcionárias do banco durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo 2022. A decisão do Santander vai na contramão da dos grandes bancos brasileiros, que concederam o abono para os trabalhadores acompanharem os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Catar que será aberta oficialmente no dia 20 de novembro. O primeiro jogo do Brasil (veja tabela fase de grupos no final desta matéria) será contra a Sérvia, na quinta-feira, 24, às 16h (horário de Brasília). 

Segundo Cláudio Merçon (Cacau), diretor do Sindicato dos Bancários/ES e secretário-geral da Fetraf-RJ/ES, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, assim como os sindicatos e federações a ela associados, já enviou ofício ao Santander reivindicando que o banco se abstenha de exigir a compensação das horas não trabalhadas durante os jogos do Brasil na Copa. 

“O futebol faz parte de uma paixão nacional. Impor a compensação das horas e mais uma pressão que o banco exerce sobre seus funcionários. Já não basta a tensão que os trabalhadores sofrem o ano inteiro para cumprir metas cada vez mais abusivas. Assistir aos jogos da Copa é sempre um momento de descontração, de relaxamento, de vibração para todos nós que vivemos sob forte tensão política nos últimos quatro anos sob Bolsonaro. O Santander está tentando estragar esse momento”, afirma Cacau.

O dirigente diz que a exigência de cobrar a compensação das horas chega a ser mesquinha. “A Copa acontece de quatro em quatro anos. Se o Brasil avançar até a final, são ao todo sete jogos, sendo que a finalíssima acontece num domingo, ou seja, estamos falando de abonar no máximo as horas relativas a seis jogos. Será que isso implicaria grandes perdas para um banco que vem acumulando lucros recordes em cima da força de trabalho de seus funcionários nos últimos anos”, questiona. “Santander, reveja sua posição. Não jogue contra o time dos trabalhadores”, alfineta Cacau.