Em reunião nessa quarta-feira (11), representantes da Comissão de Organização dos Empregados (COE) discutiram com o banco os seguintes pontos de pauta: renovação do acordo da Comissão de Conciliação Voluntária (CCV), reajuste do plano de saúde, fechamento de agências e problemas relacionados ao programa de metas GERA.

 O acordo da CCV, que expira em abril, é um mecanismo de solução extrajudicial de conflitos trabalhistas que permite a ex-funcionários negociar pendências financeiras diretamente com o banco, com a intermediação dos sindicatos. Durante a reunião, a COE solicitou que o banco retome a homologação das rescisões nos sindicatos. 

Também foi requerida a inclusão, entre os itens analisados pela CCV, da manutenção do plano de saúde para trabalhadores que possuem doenças graves e estejam em tratamento, bem como a preservação das condições da taxa de crédito imobiliário para empregados desligados, como se ainda estivessem na ativa.

Plano de saúde
Outro ponto debatido foi o reajuste do plano de saúde. O banco apresentou os novos índices de aumento, alegando crescimento da sinistralidade. Segundo o Itaú, o reajuste será de 9,8% para a Fundação Itaú e de 10,37% para os beneficiários da Unimed.

Os representantes da COE alegaram que os percentuais de reajuste são abusivos. “O reajuste proposto pelo Itaú é três vezes a inflação dos últimos 12 meses, que ficou em 3,81%. Esse reajuste vai impactar, sobretudo, os colegas aposentados”, aponta Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES. Na reunião, os representantes dos trabalhadores também criticaram a cobrança sem limite de coparticipação no plano dos trabalhadores da ativa. A correção do valor de reembolso, que segundo os dirigentes sindicais está defasado há anos, foi outra reivindicação formalizada aos representantes do banco.

A COE solicitou ainda que o banco apresente os números reais dos gastos com o plano de saúde, para que seja possível compreender os motivos do reajuste nas mensalidades, e reivindicou a realização de uma mesa específica para discutir o tema. “Quando se vai discutir valor da mensalidade de plano de saúde, a transparência é imprescindível. Não é possível iniciar essa discussão sem que a COE tenha acesso a todos os dados que compõem hoje o valor da mensalidade”, afirma Carlão.

Fechamento de agências
Se falta transparência na composição da mensalidade do plano de saúde, os representantes do Itaú não foram diretos ao informar que pretendem fechar 188 agências até maio deste ano. Em 2025, o Itaú encerrou as atividades de 250 unidades.

Carlão recorda que entre 2010 e 2015 o Itaú chegou a ter quase quatro mil agências no Brasil. “A partir de 2015 o Itaú passou a intensificar o programa digital e a dar início ao fechamento deliberado de agências. Hoje o Itaú tem cerca de 1.600 agências. Aqui no Espírito Santo são apenas 18, que estão concentradas na Grande Vitória e em municípios-polo. O banco não tem nenhuma responsabilidade social em garantir o acesso da população aos serviços bancários presenciais. A mudança para o ambiente digital é um processo de exclusão da parte menos abastada da população que está definitivamente fora dos planos do banco Itaú”, critica o dirigente. 

Os representantes dos trabalhadores apontaram ainda a falta de critérios claros para esses fechamentos e alertaram para o impacto social da medida, principalmente em cidades que estão ficando sem atendimento bancário presencial. Segundo a COE, aposentados e pessoas com dificuldade de acesso aos meios digitais são os mais prejudicados.

Metas abusivas
Outro ponto levantado foi a situação dos trabalhadores das agências receptoras, que passam a lidar com aumento da demanda sem a estrutura adequada e com metas consideradas desproporcionais à nova realidade.

Para a coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, o movimento sindical continuará acompanhando de perto as mudanças implementadas pelo banco. “Estamos discutindo temas que afetam diretamente a vida dos trabalhadores e dos clientes. O fechamento de agências precisa ter critérios claros e responsabilidade social, porque muitas cidades estão ficando sem atendimento presencial. Também cobramos mais transparência nos números do plano de saúde e soluções para os problemas enfrentados pelos bancários no dia a dia das agências”, afirmou.

Programa Gera
Outro tema abordado na reunião foi o programa de metas GERA. A COE apresentou uma série de questionamentos relacionados ao funcionamento do sistema, como penalizações indevidas em casos de reclamações consideradas improcedentes, dificuldades no acompanhamento das metas, falhas na ferramenta “Fale com o GERA” e cobranças consideradas desproporcionais nas agências.

Os representantes dos trabalhadores também apontaram problemas na remuneração variável, que está congelada há mais de dez anos, apesar do aumento das metas e da complexidade das funções. Além disso, foram relatadas inconsistências na pontuação das vendas, dificuldades operacionais no acompanhamento dos resultados e conflitos entre vendas realizadas nas agências e aquelas registradas pelo aplicativo.

A COE também apresentou questões relacionadas ao programa Smart Pró, incluindo problemas nos critérios de avaliação, atrasos na implantação das ferramentas necessárias para o acompanhamento das metas e dificuldades operacionais enfrentadas pelos bancários.

Segundo o banco, as demandas apresentadas serão analisadas e as respostas deverão ser apresentadas em uma próxima reunião, que ainda não tem data programada.
(Com informações da Contraf)