Fechamento de agências vai na contramão do papel social da Caixa

18/09/2025 13:22

Historicamente, a Caixa sempre foi reconhecida como o banco da inclusão social. Hoje, porém, replica o modelo de gestão dos bancos privados. Nos últimos 12 meses foram fechadas 117 agências. Só este ano foram fechadas 10 unidades no ES

“Este processo de fechamento sistemático de agências precisa ser interrompido urgentemente”, diz em tom de desabafo a dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Rita Lima. Ela criticou a falta de transparência desse processo de fechamento de unidades que vem sendo intensificado sobretudo de 2024 para cá. Nos últimos 12 meses (até junho deste ano), a gestão de Carlos Vieira fechou 117 agências de rua; oito postos de atendimento; 21 lotéricas e 234 correspondentes Caixa Aqui. “É um descalabro um banco que tem historicamente o papel social de promover a inclusão da população desbancarizada, reproduzir o modelo de gestão dos bancos privados de reduzir gastos a partir do fechamento de unidades bancárias”, protesta Rita. 

No Espírito Santo, foram fechadas somente este ano 10 agências: Metropolitano, Vale, JF Cachoeiro, PAB Campo Grande, Bento Ferreira, Vitória Praia, Cricaré, Ibes Vila Velha, Praia da Costa e Vila Rubim – essas quatro últimas funcionarão somente até o dia 17 de outubro. Rita diz que não importa se uma agência ou outra tenha sido convertida em unidade singular (sem numerários) ou digital. “Embora a Caixa garanta que os empregados serão transferidos para outras unidades, o fechamento de agências, em última análise, prejudica a população, especialmente os segmentos menos favorecidos. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir de dados divulgados em julho de 2025, 20,5 milhões de brasileiros não tinham acesso à internet em 2024. “Estamos falando de mais de 10% da população que não serão beneficiadas em nada por agências digitais”, pondera Rita.

“A questão é que as agências de rua tradicionais estão sendo extintas e isso não pode continuar. É inaceitável que a direção da Caixa trate com naturalidade o encolhimento da rede como parte de uma estratégia de reestruturação do banco. Ora, a Caixa não pode copiar a gestão do Itaú, do Bradesco ou do Santander, bancos que têm o lucro como única prioridade. A Caixa é um banco público que tem responsabilidades e compromissos sociais que não podem ser preteridos”, pontua a dirigente. 

Nos bastidores da reestruturação, corre a informação de que Vieira pretende chegar na proporção de uma agência para cada 100 mil habitantes. Considerando que a população brasileira é de 212 milhões, a rede da caixa seria reduzida 2.120. “É um disparate. Em 2010, a Caixa chegou a ter mais de 4 mil agências, ou seja, a média de duas unidades para cada grupo de 100 mil habitantes. Se essa redução for confirmada, o número de agências cairia pela metade em relação a 2010”, alertou Rita. 

Até o primeiro trimestre de 2025 a Caixa contava com 3.200 agências. Uma queda de 5,9% se comparada a 2015.

Rodada de negociação
Na próxima sexta-feira (19), acontece uma reunião sobre a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Saúde Caixa entre o banco e os representantes dos trabalhadores. Além do Saúde Caixa, outros assuntos devem ser tratados na reunião. Rita afirmou que a discussão sobre o fechamento de agências deve entrar na pauta.