Como outros tantos moradores do Centro de Vitória, Antônio Soares de Oliveira, 85 anos, deu a habitual passadinha na tradicional feira-livre da Rua 7 de Setembro na manhã deste sábado, 14. Logo que chegou à feira foi abordado por bancários e por voluntários da Amacentro. Eles pediram o apoio do senhor Antônio ao abaixo-assinado contra o fechamento da agência do Banestes da Graciano Neves, vizinho à feira.
Nem foi preciso insistir. Ele apenas perguntou: “Onde é que eu assino?”. Em seguida, desabafou indignado: “Fechar a agência do Banestes é uma covardia com os moradores do Centro. Uma safadeza, pra dizer a verdade. Querem complicar mais a vida da gente. Estão querendo tirar tudo do Centro”, protestou Antônio, que disse ser correntista do Banestes desde 1970. “Só nesta agência tenho conta há mais de 12 anos”.

“Querem complicar mais a vida da gente”, disse Antônio Soares de Oliveira
Lino Filetti, presidente da Amacentro, que participou da mobilização deste sábado junto com o Sindicato dos Bancários/ES pelo não fechamento da agência, lembrou que o Centro de Vitória tem a maior concentração de idosos do Espírito Santo. “Consequentemente, a agência Graciano Neves, tem um grande número de correntistas com mais de 60 anos. Essa já é uma ótima razão para o governo manter a unidade ativa”. Morador do Centro há 15 anos, Lino criticou ainda as iniciativas do poder público e do setor privado no sentido de esvaziarem o Centro. “Manter o movimento financeiro, cultural e de lazer no Centro é mantê-lo vivo. O Banestes, como um banco público, tem a obrigação de cumprir sua função social no Centro de Vitória”, assinalou Lino.

“Não podemos permitir que o Centro continue sendo esvaziado”, sublinhou Lino, da Amacentro

Thais desconfia que há alguma coisa por trás do fechamento da agência. “Não dá para entender”
Confirmando a informação do presidente da Amacentro, muitos dos transeuntes que espontaneamente fizeram questão de parar para endossar o abaixo-assinado eram idosos e correntistas da agência, que tem data prevista para encerrar as atividades no dia 10 de janeiro próximo. É o caso de Thaís das Graças, que disse visitar a agência de três a quatro vezes por semana. “Desativar a agência causaria um transtorno na minha rotina. Até onde eu sei o Banestes não tem prejuízo. Aliás, nunca vi banco ter prejuízo. Então eu pergunto: qual o motivo para fechar a agência? Acho que tem alguma coisa por trás disso”, afirmou em tom de desconfiança a moradora que é correntista da unidade Graciano Neves há mais de uma década.
A também idosa Maria dos Anjos fez coro à fala da vizinha. “Querem tirar a facilidade e conforto de nós idosos por quê?”. Ela disse que tem acompanhado o fechamento de agências de bancos privados, mas não esperava que o Banestes, como banco público, seguisse o mesmo caminho. “Se você ficar na porta da agência vai notar que os idosos representam a maioria dos correntistas. Não vejo justificativa para fechá-la”.

Para Romário, desativar a agência representa uma grande perda para moradores e comerciantes
O oficial de Justiça Romário Santos, 36 anos, morador da Fonte Grande, disse que o encerramento das atividades representaria uma grande perda para moradores e comerciantes do Centro. “Nada justifica. Tem coisa que não dá pra entender. Se isso se confirmar, irá prejudicar o Centro”.
De maneira parecida pensa o químico Yonis Filho. Radicado no Centro há três décadas, ele contou que não vai muito ao banco, mas entende a importância da agência para a comunidade de maneira geral. “Especialmente para os idosos, a agência física tem uma função social muito importante. Fechar uma agência não colabora para a revitalização do Centro. Isso acaba sendo péssimo para toda a comunidade, independentemente de você ser correntista do banco ou não”, analisou

O artista Thiago Araújo, que trabalha no Centro, lamentou a notícia
Thiago Araújo, da Associação de Livre Teatro Capixaba, que atua como palhaço, que costuma trabalhar no Centro, lamentou a notícia. “O fechamento de uma tradicional agência que serve a comunidade é um sintoma muito grave desse processo que tenta esvaziar o Centro. Precisamos nos mobilizar para que isso não aconteça”.
Mobilização continua
A ação do Sindicato na feira-livre do Centro dá continuidade ao café da manhã dessa sexta-feira, 13, que fez um trabalho de conscientização junto à comunidade na porta da agência Graciano Neves. “As ações de ontem e hoje foram muito bem recebidas pela população porque estamos pedindo apoio para uma causa que afeta diretamente o dia a dia dos moradores e comerciantes do Centro. Fiquei muito sensibilizado, sobretudo, com as histórias dos idosos que mostraram muita apreensão com a notícia do fechamento da agência. Como comentou um deles, é uma covardia com os idosos”, assinalou o coordenador-geral do Sindicato, Jonas Freire.
Ele acrescentou que o banco público, por ter uma função social, deveria dar o exemplo e contribuir para o processo de revitalização do Centro e não o contrário. Jonas ainda fez um balanço positivo da adesão dos moradores e comerciantes ao abaixo-assinado para impedir o fechamento da agência Graciano Neves. “O Sindicato vai seguir mobilizado para manter o Banestes onde ele tem de estar: presente na vida dos capixabas”, finalizou Jonas.
Veja as fotos na feira da Rua 7
BANCÁRIOS E CLIENTES SE UNEM CONTRA FECHAMENTO DA AGÊNCIA GRACIANO NEVES

