Em reunião realizada nesta terça-feira, 26, com o Comando Nacional dos Bancários, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) sinalizou que aceita negociar as propostas da categoria para as cláusulas sobre teletrabalho e inseri-las na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Hoje, há acordos em alguns bancos que não contemplam muitas das necessidades dos trabalhadores.
“É um avanço essa sinalização, pois o modelo de teletrabalho veio para ficar. Então temos que aperfeiçoar a comunicação com os trabalhadores e melhorar as condições de trabalho. Há bancos que preferem o acordo individual, mas o bancário fica constrangido de exigir as condições adequadas para o home office. Por isso é importante trazer o tema para a Convenção Coletiva. Os representantes patronais pediram um tempo para discutir melhor o assunto com o conjunto dos bancos. Esperamos uma resposta positiva”, avalia o diretor do Sindicato e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).
Entre as reivindicações dos bancários para regulamentar o teletrabalho estão a desconexão dos aplicativos do banco durante o horário de almoço, garantia de registro de ponto no início e no fim do expediente, fornecimento e manutenção de mobiliário ergonômico pelo empregador, canal permanente de comunicação entre o bancário e a chefia, definição de tarefas realizáveis dentro da jornada de trabalho e canal de comunicação do Sindicato com os trabalhadores.
“O bancário não pode ficar isolado. Ao empregado deve ser garantido o direito de acessar os canais eletrônicos do Sindicato sempre que quiser, assim como às entidades deve ser permitido contato com os trabalhadores”, afirmou Carlão.
Homologações
Outra cláusula discutida na reunião foi a que prevê as homologações de rescisões contratuais voltando a ser efetuadas no Sindicato. A Fenaban não deu resposta à reivindicação. “Pelo menos não a refutou”, ponderou Carlão. Ao destacar a importância da cláusula, ele lembrou que o Sindicato está mais preparado para identificar equívocos nos cálculos rescisórios, evitando passivos trabalhistas para o banco e dor de cabeça para os bancários. “Os gerentes, que estão recebendo os cálculos e colhendo a assinatura dos demitidos, não têm esse preparo e nem é função desses profissionais fazer a conferência da rescisão”.
Plenária dia 28
Os detalhes das negociações com a Fenaban serão debatidos na plenária virtual da Campanha 2022 dos bancários capixabas, que acontece nesta quinta-feira, 28, às 18h30. Carlão reforça a convocação para esse encontro, lembrando que a mobilização da categoria é fundamental neste momento.
“Nós, bancários, precisamos nos envolver na campanha, saber o que está em jogo. Ainda não entramos nas negociações das cláusulas econômicas, mas a Fenaban já sinaliza que quer descontar da PLR (participação nos lucros e resultados) o que alguns bancos pagam como programas próprios de remuneração variável. São perdas que vão vindo em pílulas. Se não estivermos atentos e mobilizados, os banqueiros se sentirão à vontade para até apresentar um índice inferior à inflação. Não podemos permitir isso”.

