A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não se comprometeu a atender nenhuma das 17 reivindicações (abaixo) do Comando Nacional dos Bancários apresentadas na videoconferência da última segunda-feira, 23. Essa é a avaliação de Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindicato dos Bancários/ES e integrante do Comando Nacional.

“A Fenaban ignorou nossos pleitos. Os bancos seguem a orientação do governo Bolsonaro. Eles não assumem essa posição abertamente, veiculam peças publicitárias na TV para transmitir que estão preocupados com empregados e clientes. Mas os bancos querem mesmo o fim do isolamento social e a adoção do chamado isolamento vertical, que vem sendo defendido pelo presidente Bolsonaro. É a lógica do capitalismo na sua versão mais selvagem de sacrificar vidas por lucro”, criticou Carlão

O dirigente sindical afirmou que os bancos seguem expondo empregados e clientes em plena epidemia de coronavírus. “Por isso, o ponto prioritário da pauta de reivindicações do Comando Nacional é o fechamento das agências bancárias e demais unidades. Sabemos que o contingenciamento está sendo negligenciado por muitos bancos. Temos recebido denúncias dos empregados por cobrança de metas por parte dos bancos e a imposição de atendimento sem nenhum critério de contingenciamento”, afirmou Carlão.

Ele destacou que é muito importante que os sindicatos se mobilizem em seus estados, buscando articulações com prefeitos e governadores. “No Espírito Santo, por exemplo, um decreto do Governo do Estado determinou o fechamento das agências por 15 dias para conter a propagação da Covid-19. O Sindicato tem feito o trabalho de fiscalização, com a ajuda da categoria, para exigir o cumprimento do decreto. É importante frisar que o decreto estadual prevalece sobre qualquer determinação da Fenaban ou dos bancos. Vamos continuar fiscalizando para fazer valer o decreto governamental”, ressaltou Carlão.

Veja abaixo a pauta de reivindicações apresentadas pelo Comando Nacional à Fenaban

Fechamento das agências bancárias e demais unidades.

Fechamento imediato das agências em hospitais e aeroportos.

Suspensão das metas.

Manter atendimento não presencial das atividades consideradas essenciais pelo decreto 10.282/2020, que estabelece em seu artigo 3º, § 1º, inciso XX, que são atividades essenciais no setor financeiro: compensação bancária, redes de cartões de crédito e débito, caixas bancários eletrônicos e outros serviços não presenciais de instituições financeiras.

Agendamento para casos de atendimento presencial em caso de extrema necessidade.

Redução da jornada para os que tiverem que ir ao local de trabalho.

Garantia de deslocamento seguro para os que tiverem que fazer o atendimento presencial de alimentação e processamento do autoatendimento.

Suspensão das demissões.

Home office para todos os bancários e bancárias, com exceção de quem terá que ir às agências para dar suporte ao funcionamento dos caixas eletrônicos, devendo haver escala de revezamento. Não podem ser incluídos no revezamento os funcionários que estão nos grupos de risco; quem não tem com quem deixar os filhos menores e aqueles que co-habitem com pessoas enquadradas no grupo de risco, como, por exemplo, pais idosos.

Garantia da ultratividade dos acordos e convenções coletivas até 31/01/2021.

A MP 927 não será adotada sem negociação coletiva com o Comando Nacional dos Bancários.

Suspensão dos descomissionamentos.

Antecipação do vale-alimentação.

Que os bancos façam campanha na mídia orientando os clientes sobre o uso dos meios digitais, de caixas eletrônicos e os riscos de contaminação pelo coronavírus.

Disponibilização de máscaras, luvas e álcool em gel para os bancários que irão realizar as atividades essenciais nas agências.

Suspensão dos vencimentos dos boletos por sessenta dias.

Isenção de tarifas para clientes com renda de até dois salários mínimos e de três transferências eletrônicas por mês (TED e DOC) para diminuir a contaminação pelo uso de cédulas.