Em negociação nesta quarta-feira, 24, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou ao Comando Nacional dos Bancários proposta para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) que gera redução do percentual sobre o lucro distribuído à categoria – cairia de 4,97%, pago em 2021, para 4,85%, neste ano, no Bradesco, Itaú e Santander, por exemplo. Ainda propôs compensar o valor pago em programas próprios na parcela adicional. O Comando recusou a proposta em mesa.

“Mais uma vez os banqueiros vieram com uma proposta regressiva, prevendo distribuir o menor percentual do lucro líquido. Propuseram reajuste de 6,22% [sobre o valor do teto], o que rejeitamos de imediato. Após uma pausa, vieram com 6,73%, o que ainda geraria perdas em relação ao percentual distribuído no ano passado, pois os bancos tiveram lucros recordes. Propusemos retirar o teto, a Fenaban rejeitou, então não houve avanços. A proposta não nos atende, está longe disso. Na essência, o que os bancos propuseram é distribuir menos lucro”, resumiu o diretor do Sindicato e membro do Comando, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).

Ele lembra que o lucro do setor aumentou significativamente devido ao esforço dos bancários e à exploração sobre trabalhadores e clientes, mas os bancos querem aumentar a distribuição dos resultados apenas entre os executivos. A previsão é que diretores tenham, em média, um aumento de 11,1% nos dividendos, ficando o valor individual na casa dos R$ 9 milhões. “A proposta de PLR é absurda diante dos lucros e dos dividendos dos executivos. Vamos retomar as negociações, mas o cenário é muito duro. Na Era Bolsonaro, os bancos estão querendo imprimir um arrocho salarial”.

Detalhamento

Com a proposta dos banqueiros de correção no teto da PLR de 6,73%, nos três maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú e Santander) o percentual de distribuição na regra básica cairia de 4,97% do lucro distribuído em 2021 para 4,85% neste ano. Na parcela adicional a redução seria de 1,69% para 1,64%. O percentual distribuído é cada vez menor porque os lucros têm tido crescimentos recordes, mas os tetos e as parcelas fixas limitam a distribuição aos trabalhadores.

Não bastasse não aceitar o fim do teto e ainda propor um reajuste sobre o teto que não atende aos anseios da categoria, a Fenaban ainda quer a compensação dos valores pagos pelos programas próprios na parcela adicional da PLR. Para o Comando, isso vai significar mais cobrança por metas e assédio moral sobre os bancários.

Assembleias

As negociações seguem nesta quinta-feira, 25, na tentativa de arrancar uma proposta global que contemple as reivindicações da categoria. E na sexta-feira, 26, em todo o país, acontecem assembleias para avaliação das propostas da Fenaban e as apresentadas nas mesas de negociações específicas dos bancos públicos.

Os capixabas se reúnem em assembleia virtual a partir das 19 horas. O debate será pela plataforma Zoom e, em seguida, será aberta a votação pelo sistema on-line do Sindicato.

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