A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal lançou nesta quinta-feira, 21, em conjunto com a Contraf, a cartilha Gestão pelo Medo na Caixa. O objetivo da publicação é alertar os trabalhadores sobre o adoecimento físico e mental da categoria e orientar sobre denúncias de assédio moral e descomissionamento arbitrário.
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A publicação traz relatos de empregados da Caixa que sofreram assédio moral e como isso afetou a saúde deles. O texto também demonstra como os processos de reestruturação no banco impactaram a saúde dos empregados.
“Eu era gerente e tinha contato diário com os clientes. Tiraram minha função, fui descomissionado e transferido para outra unidade para fazer um trabalho repetitivo em uma sala minúscula, sem treinamento algum, vendendo produtos por telefone e sendo avaliado só pelas vendas. Tive depressão e síndrome do pânico, e fiquei seis meses afastado. Aí o INSS mandou eu voltar, mesmo sem estar 100% recuperado. Não voltei, acabei pedindo demissão e ainda estou me tratando”, diz um dos relatos publicados.
“O assédio moral é uma prática que desestrutura emocionalmente o empregado, com reflexos na sua vida profissional e pessoal. Durante a pandemia, tivemos muitos casos de empregados pressionados a trabalhar sem ter o equipamento de proteção adequado, ou mesmo sendo convidados a ir ‘voluntariamente’ às agências, quando estavam designados para trabalhar em home office. Muitas vezes as pressões cotidianas não são reconhecidas como assédio, por isso precisamos nos conscientizar cada dia mais sobre o tema”, explica a diretora de Saúde e Condições de Trabalho do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.
A cartilha também apresenta dados de uma pesquisa realizada pela Fenae em 2018, que traça um panorama sobre o quadro de saúde dos empregados da Caixa. Segundo o texto, 60% dos empregados estão sobrecarregados e 33% já tiveram problema de saúde por causa do trabalho. Do total de casos de adoecimento, 60,5% são doenças psicológicas e causadas por estresse. O índice de casos de depressão ou ansiedade é de 20%; e 19,6% buscam acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
Denunciar é fundamental
Apesar de mais da metade dos empregados entrevistados (53,6%) relatarem já terem sofrido assédio moral, apenas 3% dos casos de assédio foram registrados no RH da Caixa.
Segundo Lizandre, o medo acaba sendo fator determinante para que o bancário não denuncie. Por isso, além de saber reconhecer as situações de assédio, é fundamental romper a barreira do medo e denunciar.
“Com a denúncia, podemos intervir diretamente junto às direções dos bancos, tanto no sentido de prevenir, quanto de combater. Além disso, notificar os casos nos permite ter provas e maior subsídio para acionar a justiça, quando for necessário. E mostra que, muitas vezes, essa é uma prática institucionalizada, que não atinge um ou outro empregado apenas”, argumenta a diretora.
Vale lembrar que o Sindicato dos Bancários mantém um canal de denúncias online, onde o empregado pode relatar situações de assédio ou qualquer outra que esteja em desacordo com as normas trabalhistas. Os bancários também podem entrar em contato com a Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato pelo telefone (27) 99961-4185.
Com informações da Fenae


