
(Atualizada em 25/07/2020, às 17h34) “Aulas se recuperam, vidas não!”. O cartaz exibido por uma militante da educação resume o ato desta sexta-feira, 24, contra a retomada das aulas na rede estadual de ensino em agosto. Representantes das entidades que integram o Fórum Capixaba em Defesa das Trabalhadoras e Trabalhadores se reuniram em frente à Secretaria de Estado da Educação (Sedu) para protestar contra o governador Renato Casagrande, que sinaliza o retorno das aulas no próximo mês. Os representantes do Fórum pediram uma audiência com o secretário de Educação, Vitor de Ângelo, mas não foram recebidos. Foi protocolado um manifesto marcando a posição das entidades contra a volta às aulas enquanto não houver um ambiente seguro em relação à pandemia para a comunidade escolar.
No manifesto, as entidades afirmam que o governador e o secretário de Educação não ouvem a comunidade escolar e estão na iminência de cederem à pressão dos empresários da educação privada, que querem o retorno das aulas em plena pandemia. “Sabemos das precárias condições nas quais as escolas se encontram, uma vez que muitas sequer possuem materiais para higiene. Portanto, não há condições reais das escolas cumprirem os protocolos com o rigor sanitário necessário para a proteção da vida”, diz um trecho do manifesto.
Fabrício Coelho (foto), representando o Sindicato dos Bancários/ES no Fórum, criticou a política genocida do de Casagrande e Bolsonaro. Segundo ele, ambos priorizam interesses econômicos em detrimento das vidas. O dirigente sindical afirma que o governador tem pressa em retomar as aulas para atender, mais uma vez, aos interesses dos empresários. “Casagrande, novamente, está pondo o lucro na frente das vidas. Ele já havia cedido aos empresários quando decidiu abreviar o isolamento social e reabrir o comércio, mesmo com as curvas da doença e das mortes em franca ascensão. A pressa que o povo capixaba deve ter é por educação pública, gratuita e de qualidade”, assinalou Fabrício.
A professora Carolina Francisco (foto), do Coletivo Lute-ES, disse que os professores da rede estadual não vão aceitar um retorno às aulas sem garantias à saúde da comunidade escolar: professores, funcionários e estudantes. “Decidimos fazer esse ato porque nós, professores, pais e alunos temos observado com preocupação as movimentações do Governo do Estado e da Secretaria de Educação nas últimas semanas que indicam que querem fazer a reabertura das escolas em meio a pandemia. Nós sabemos que o governador Casagrande tem sofrido pressão das instituições privadas de ensino para fazer esse retorno. Tememos que ele sucumba mais uma vez ao empresariado capixaba, como fez ao reabrir o comércio no início de junho”, advertiu Carolina.
A professora destacou ainda que as consequências da reabertura antecipada do comércio podem ser vistas nos números de contaminados e mortos. Ela lembrou que até quinta-feira, 23, o Espírito Santo contabilizava 2.341 mortes e mais de 74 mil casos confirmados da doença.
Israel Frois (foto), professor de Geografia da rede estadual e militante da Corrente Sindical e Popular Resistência e Luta Educação, foi direto em afirmar que não há condições para retomar as aulas. Ele também disse que o receio da comunidade escolar é de que, mais uma vez, Casagrande acabe cedendo à pressão aos empresários. Frois enumerou os riscos de retomar as aulas com a pandemia em expansão. Ele citou a falta de testagem e a grande concentração demográfica, sobretudo, nas periferias, fatores que tornariam insegura a volta às aulas neste momento. “Além disso, defendemos que a reabertura das escolas somente deve ocorrer após a vacinação, conforme aponta a pesquisadora e epidemiologista Ethel Maciel”, ressaltou o geógrafo.
O presidente estadual do PSol, Toni Cabano, criticou a falta de diálogo do Governo do Estado. Durante o ato, ele reiterou o pedido das entidades para que o secretário Vitor De Ângelo recebesse uma comissão formada por representantes das entidades de educação que integram o Fórum. Cabano lamentou que o secretário não os recebeu, mas disse que o manifesto foi protocolado na Sedu. Ele afirmou que há uma expectativa de que o governador anuncie ainda nesta sexta-feira se irá reabrir as escolas em agosto.
Após o fechamento desta matéria o governador Renato Casagrande anunciou a prorrogação da suspensão das aulas presenciais em todas as escolas, universidades e faculdades, inclusive cursos livres, das redes de ensino públicas e privada, no Espírito Santo, até 31 de agosto.
Entregadores apoiam ato
Entregadores de aplicativos marcaram presença no ato em defesa da educação. Victor Lemão (foto) disse que o retorno das aulas agora vai aumentar o numero de casos da covid-19 e consequentemente de mortes. “Os professores são profissionais essenciais e precisam ser respeitados. Infelizmente, temos visto essa categoria ser atacada pelos governos Federal e Estadual. Nossa solidariedade à luta dos professores pela preservação das vidas e contra a abertura das escolas”, registrou Lemão.
Ele lembrou que os entregadores de App votam a protestar neste sábado, 24, em todo o país contra as condições de trabalho da categoria. Lemão, que faz parte do movimento antifascista, informou que em Vitória os entregadores de App de moto e bike vão se reunir por volta das 10h na Praça dos Namorados. De lá eles seguem até a Assembleia Legislativa, onde se concentram
Com a chamada “Breque dos Apps”, os entregadores pedem para que a população não faça pedidos por aplicativos neste sábado, 25. Nas redes sociais, os organizadores do protesto explicam que o objetivo é reivindicar melhores condições de trabalho para a categoria, principalmente o aumento das taxas mínimas que os entregadores ganham a cada corrida, o fim dos bloqueios que funcionam como punição aos entregadores, auxílio dos aplicativos para os trabalhadores que se contaminarem por covid-19 ou se acidentarem e suporte para conserto dos veículos.
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