Foi entregue nessa terça-feira (19) a deputados e senadores da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos e Soberania um estudo sobre a proposta de reestruturação do Banco do Brasil. O levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese) aponta os impactos do plano de reestruturação anunciado há 10 dias pela direção do BB. O plano prevê o fechamento de centenas de agências, postos de atendimento e escritórios em todo o país, além da demissão de 5 mil funcionários.
O estudo, de 24 páginas, mostra, entre outros aspectos, resultados financeiros do banco, composição das despesas com pessoal, saldo de empregos, tendência de queda dos postos de trabalho no setor bancário, número de agências, postos de atendimento e clientes e a rede de atendimento do banco.
Na avaliação do economista Gustavo Cavarzan, do Dieese, o processo de desmonte vem sendo intensificado nos últimos anos. “É possível observar que no Banco do Brasil há 20 mil empregos a menos desde 2013 e 17 mil a menos desde janeiro de 2016. Além disso, desde 2016, o banco fechou 1.072 agências bancárias e apresentou uma redução real de sua carteira de crédito da ordem de 29%. Esse cenário aponta para o esvaziamento do BB e mais amplamente do papel dos bancos públicos na economia brasileira que cumprem função essencial”, ressaltou o economista.
Capilaridade dos bancos públicos
O papel do Banco do Brasil, dentro da importância dos bancos públicos, fica destacado quando se observa que o BB está em 99% dos municípios e 17,7% dessas localidades contam apenas com agências de bancos públicos. O BB tem 4.368 agências em todo o país. No Brasil, pouco mais da metade (58,1%) dos 5.570 municípios tem agências bancárias. Cidades que contam com apenas agências de bancos públicos são 17,7% do total, isto é, 990 municípios, que depende exclusivamente de uma agência dos bancos públicos. A participação dos bancos públicos no crédito da região Norte e Nordeste do país chega a 90%.
Gustavo Cavarzan destaca também que o Banco do Brasil, sozinho, é responsável por 55% do crédito rural no Brasil, percentual que chega a 93% no Norte do país e quase 80% no Nordeste e Centro-Oeste. “Esta reestruturação deve ser compreendida num contexto mais amplo de transformações que vem ocorrendo há alguns anos no Sistema Financeiro Nacional, vinculadas as inovações tecnológicas e a flexibilização das normas trabalhistas, mas também num contexto mais específico de esvaziamento do papel dos bancos públicos desde 2016”, analisou o economista.
Pracinha, igreja e o Banco do Brasil
A diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone falou sobre a importância dos dados levantados pelo Dieese. “O estudo revela a capilaridade dos bancos públicos. Muitos já devem ter ouvido aquela expressão usada para descrever o centrinho de uma pequena cidade do interior. Costuma-se dizer: ‘tem uma pracinha, uma igreja e uma agência do Banco do Brasil’. A capilaridade do BB é tão forte, como mostram os números do Dieese, que entrou no imaginário dos brasileiros”.
Segundo a dirigente, o banco faz parte da história de desenvolvimento de cada um dos 5.570 municípios. Ela adverte, no entanto, “que todo esse legado está ameaçado pelo processo de desmonte imposto por essa política perversa neoliberal do presidente Bolsonaro e do ministro da Economia Paulo Guedes. Não vamos deixar que essa trajetória de mais de 200 anos de conquistas, que se confunde com a história do Brasil, seja encerrada e todo esse ativo entregue ao setor financeiro”, disse Goretti.
Ela destacou a importância de as confederações, federações entidades sindicais e associativas, além dos bancários e das bancárias do BB, promoverem uma ampla mobilização para pressionar não só os parlamentares da Frente, mas também os demais deputados e senadores a se engajarem na defesa do BB. “Precisamos cobrar dos deputados, senadores e dos prefeitos que usem os dados do estudo do Dieese como mais um argumento para barrar o desmonte do banco. É a hora de os parlamentares mostrarem que estão dispostos a lutar em defesa do patrimônio que pertence a todos os brasileiros”, enfatizou Goretti.
(Com informações da Contraf)
(Arte capa: Contraf)









