Funcionários do BB cobram avanços em inclusão, igualdade e apoio a trabalhadores endividados

17/07/2026 18:13

Primeira negociação da pauta de diversidade da Campanha Nacional 2026 debateu direitos de PcDs, população LGBTQIA+, mulheres, licença parental e linha de crédito para renegociação de dívidas dos funcionários

As negociações da pauta de diversidade específica dos funcionários do Banco do Brasil tiveram início nesta sexta-feira (17), em São Paulo, com o debate sobre os direitos das pessoas com deficiência (PcDs), um dos primeiros temas abordados na mesa entre a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e a direção do banco. As propostas apresentadas pelas entidades buscam ampliar a acessibilidade, promover a inclusão e garantir igualdade de oportunidades no ambiente de trabalho.

Para Nathalia Galini, diretora do Sindibancários/ES e representante da Fetraf RJ/ES, mudar a realidade do ambiente corporativo exige olhar para as particularidades de cada trabalhador. “Precisamos de medidas efetivas que tragam verdadeira igualdade, dignidade e respeito para todo mundo. As negociações podem ser um caminho para consolidar as políticas de diversidade no banco. Só criaremos um ambiente de trabalho realmente inclusivo quando entendermos as diferentes vivências dos funcionários e adotarmos ações práticas que assegurem oportunidades iguais, respeito e dignidade a todos”, destacou.

Entre as reivindicações apresentadas está a cumulatividade dos benefícios destinados às pessoas com deficiência com o auxílio-creche/babá, a concessão de licença de até 15 dias por ano para acompanhamento de dependentes com deficiência, sem limite de idade, em consultas e tratamentos médico-odontológicos, a realização de um Censo da Pessoa com Deficiência no Banco do Brasil para identificar esse público e suas necessidades, a ampliação das possibilidades de teletrabalho para PcDs que necessitem dessa modalidade e que haja o acompanhamento para garantir a adaptação dos trabalhadores. Outra reivindicação é o abono das horas necessárias para tratamentos, terapias, consultas médicas.

No caso das mulheres, a proposta é incentivar a participação feminina na área de Tecnologia, segmento que vem crescendo no Banco do Brasil, mas que ainda conta com baixa representatividade. A iniciativa busca ampliar as oportunidades de acesso e desenvolvimento profissional, criando um ambiente mais acolhedor e estimulando que mais mulheres ocupem esses espaços.

A pauta também contempla a ampliação da proteção às mulheres em situação de violência doméstica, com a garantia de afastamento de até seis meses, sem necessidade de encaminhamento ao INSS e com preservação do cargo no retorno ao trabalho.

Os dirigentes também pediram que mulheres vítimas de violência que estejam afastadas do trabalho tenham garantia de permanência no cargo por, pelo menos, um ano.

Outro ponto defendido pelas entidades é a criação de licença parental para cada pessoa de referência da criança ou do adolescente, limitada a duas pessoas, sem prejuízo do emprego ou da remuneração, garantindo condições para o exercício da parentalidade. Também foi reivindicada a equiparação da união estável ao casamento para fins de concessão dos benefícios previstos no acordo coletivo.

O banco recebeu de forma positiva as reivindicações apresentadas pelas entidades e informou que avaliará as propostas antes de apresentar uma resposta. A direção também afirmou que trabalha com a meta de alcançar a paridade de gênero nos cargos de liderança até 2030. Segundo os dados apresentados na mesa, as mulheres já representam 50% do Conselho de Administração, 44% do Conselho Diretor e 25% da Diretoria Executiva. Além disso, o banco destacou que vem promovendo programas de desenvolvimento para ampliar a participação feminina em áreas estratégicas, como Tecnologia.

Endividamento

Outro tema apresentado pela representação dos funcionários foi a criação de uma alternativa efetiva para a renegociação de dívidas dos empregados junto ao Banco do Brasil. A proposta prevê uma linha de crédito específica destinada a funcionários com dívidas, em atrasos ou não, cujas prestações mensais ultrapassem 30% do salário bruto.

As entidades defendem que a linha tenha condições semelhantes às praticadas na primeira faixa do programa Minha Casa, Minha Vida, com juros em torno de 4,5% ao ano, além de carência de 90 a 120 dias para o início do pagamento, podendo ser reduzida mediante solicitação do trabalhador. A proposta também prevê a possibilidade de abatimento do valor total da dívida, quando necessário, para adequar a renegociação à capacidade de pagamento do funcionário, permitindo que ele regularize sua situação financeira sem comprometer sua renda.

De acordo com Nathalia, os representantes do banco afirmaram que estudam alternativas para enfrentar esse problema. “Eles acenaram positivamente como a possibilidade de rever o “equilibra” para melhor atender os funcionários em situações críticas de endividamento”, pontuou Nathalia.

Monitoramento

Outro tema levado à mesa foi a melhoria das condições de trabalho, com destaque para a revisão dos mecanismos de monitoramento da produtividade. As entidades reivindicaram a extinção do controle individual do tempo de atendimento e dos atuais instrumentos de acompanhamento individual da produtividade.

Segundo a representação dos funcionários, os processos de monitoramento têm consumido tempo excessivo dos trabalhadores e, muitas vezes, não refletem a realidade das atividades desempenhadas. Além disso, os critérios utilizados deixam de considerar diversas tarefas realizadas no dia a dia, comprometendo a efetividade das avaliações.

Por isso, as entidades defenderam a participação dos funcionários na construção e no aperfeiçoamento dessas ferramentas, de forma a desenvolver indicadores mais justos, transparentes e compatíveis com a realidade do trabalho, sem que o monitoramento se torne um obstáculo ao desempenho das atividades.

“Não dá para aceitar esse monitoramento sufocante que engessa o dia a dia e só gera desgaste. É um absurdo o funcionário precisar parar e perder um tempo precioso de trabalho para fazer o registro das atividades que ele realizou durante o dia, inclusive, o banco já possui o log do funcionário no sistema. Levamos para a mesa a exigência pelo fim do controle individual do tempo de atendimento e dessas ferramentas de produtividade que ignoram a verdadeira realidade de trabalho”, explicou a dirigente e completou, “o banco precisa entender que nós não somos robôs e que qualquer métrica de avaliação tem que ser construída junto com a categoria, com transparência, justiça e respeito a quem de fato faz a engrenagem funcionar”, ressaltou Nathalia.

A mesa de negociação foi proveitosa e os representantes do banco prometeram analisar como o monitoramento individual é realizado atualmente e estudar possibilidades para avançar em melhorias.