Os bancários do Banco do Brasil divulgaram nesta semana, por meio da Comissão de Empresa dos Funcionários/BB- CEBB, o manifesto em “defesa da democracia, respeito à Constituição e à escolha soberana do povo brasileiro nas eleições de outubro”. A publicação do documento ocorre após Fausto Ribeiro, presidente do banco, criticar publicamente a adesão da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) à carta Em Defesa da Democracia e da Justiça. “Nossa posição segue de neutralidade”, disse o presidente do BB a jornalistas. “Entendemos que a Febraban não deve se manifestar sobre política”, completou. A defesa da democracia e do BB público foram temas aprovados no 33º Congresso dos Funcionários do Banco do Brasil, realizado em junho.

“As cartas [incluindo a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito] são manifestações legítimas e necessárias do povo brasileiro, por isso é primordial a participação da sociedade. Ao se recusar a assinar, a direção do BB deixa de defender o papel do BB como instituição pública, deixa de atender aos anseios democráticos do povo brasileiro”, afirmou a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Cláudia Patrícia Ribeiro”. Ela lembra que é importante que todos os bancários do BB apoiem o movimento pela democracia e eleições livres.

Confira o texto da carta dos trabalhadores do BB:

Funcionários do Banco do Brasil pela democracia

Nós, funcionários do BB, representados no 33º Congresso dos Funcionários do Banco do Brasil, aprovamos a defesa da democracia, o respeito à Constituição e à escolha soberana do povo brasileiro nas eleições de outubro.

Enquanto alguns preferem atacar as urnas eletrônicas e desacatar a vontade majoritária da população e outros preferem subir no muro da neutralidade, nós percorremos o caminho da ordem democrática.

O autoritarismo é a face de um passado que não pode voltar, que violou direitos humanos e aprofundou a miséria no país. Não se esquecer da História é a chave para que a violência de Estado não se repita.

Vamos lembrar que em julho de 1983 o então governo autoritário determinou intervenção em vários sindicatos, entre eles o dos bancários de São Paulo. Colegas foram cassados e perseguidos. A intervenção acabou somente após sucessivos atos de protestos que sensibilizaram a sociedade. Uma data emblemática desse processo de luta pela democracia é o 10 de setembro de 1985, quando os trabalhadores bancários realizaram a maior greve da história da categoria no Brasil e a primeira pós-1964, dando o estopim para as Diretas Já.

Hoje, 2022, vivemos um momento dramático da vida nacional em que não podemos permitir retrocessos autoritários e a volta a um passado de violência política que causou tantos prejuízos à sociedade brasileira. Quem ataca a democracia quer manter seus privilégios e impedir que a maioria tenha acesso aos direitos básicos de cidadania.

A convivência democrática é fundamental para que os trabalhadores e as parcelas menos favorecidas da sociedade brasileira coloquem na ordem do dia as suas pautas essenciais: o combate à fome e à miséria; a luta por justiça social e pela redução das desigualdades; a melhoria nos salários; a recuperação de direitos trabalhistas e previdenciários; o respeito à diversidade; a reconstrução de um sistema de saúde universal e de qualidade; o acesso às escolas e universidades; o direito à moradia e aos serviços públicos essenciais.

Democracia também significa o fortalecimento das empresas públicas, o respeito e valorização de seus funcionários para que empresas, como o Banco do Brasil, cumpram o seu papel de financiar a recuperação da economia e a geração de empregos de qualidade para amplos setores da população brasileira.

Pelo respeito à vontade do povo, Estado Democrático de Direito sempre.

33° Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil
“BB público sim, BB mais social sempre!”

 

Com informações da Contraf