Audiência pública na Câmara dos Deputados discutiu o plano de saúde dos bancários aposentados do Itaú (Foto: Bruno Spada Câmara dos Deputados)

Em 2024, quando completou 100 anos, o Itaú lançou uma campanha comemorativa com o seguinte mote: “Feito de Futuro”. A mensagem do banco convidava os clientes para caminhar juntos pelos próximos 100 anos. Só faltou convidar os bancários e as bancárias que dedicaram suas vidas ao banco, mas são esquecidos no momento da aposentadoria. Os funcionários que encerram sua carreira no Itaú depois de décadas não conseguem sequer pagar o plano de saúde. O problema foi tema de uma audiência pública nessa terça-feira (19) na Câmara dos Deputados, que reuniu representantes do movimento sindical, parlamentares e entidades de classe trabalhadora para discutir a situação do plano de saúde dos aposentados do Itaú. A iniciativa partiu da deputada Erika Kokay (PT-DF), que conduziu os trabalhos e destacou que a saúde suplementar é um direito essencial. 

O dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Marcelo Dalarmelina, que é também integrante da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, destaca a importância do problema dos aposentados ganhar visibilidade no Congresso Nacional. “É preciso que a sociedade conheça a situação dos bancários que se aposentam no Itaú. Hoje, um colega que trabalhou 30, 40 anos no banco tem dificuldade para arcar com as despesas do plano de saúde”. 

O dirigente critica a desfaçatez das campanhas publicitárias do Itaú, que passam uma imagem de responsabilidade social para a sociedade, mas não cuidam dos seus próprios funcionários. “É pura retórica. Na TV ou nas redes sociais o Itaú se apresenta como uma empresa sensível e humana. Na prática, a realidade é bem diferente. Enquanto está na ativa, o funcionário é massacrado pelas metas. O resultado desse modelo de trabalho é o adoecimento, sobretudo o mental. A maioria dos funcionários irá chegar na aposentadoria com sequelas. Justamente no momento em que esse trabalhador está com a saúde mais vulnerável, que é na velhice, o banco vira as costas para ele e corta o subsídio do plano. É inaceitável para uma empresa que lucrou mais de R$ 22 bilhões só no primeiro semestre deste ano, se recusar a arcar com o subsídio. O ativo mais valioso do ser humano é a saúde. Definitivamente, os bancários aposentados estão fora deste ‘futuro’ que o Itaú diz estar construindo”, afirma Marcelo. 

Plano não cabe no bolso
Marcelo explica que, em média, o valor da mensalidade para um associado pode chegar a R$ 2 mil ou mais, de acordo com o número de dependentes. Sem o subsídio do banco, esse valor não cabe no orçamento do bancário aposentado, que muitas vezes é obrigado a procurar um plano inferior, mais em conta, ou até mesmo ficar sem plano de saúde, porque muitas empresas, dependendo do quadro de saúde desse aposentado, não o aceita no plano”, afirma.

Ao encerrar a audiência, a deputada Erika Kokay afirmou que a luta pelo plano de saúde dos aposentados do Itaú não é apenas uma questão corporativa, mas de justiça social. “O direito à saúde não pode ser negado ou precarizado em nome do lucro. É preciso garantir condições dignas para quem dedicou sua vida ao trabalho e agora precisa de proteção”, declarou.