GDP: Caixa agrava instrumento de assédio moral ao impor curva forçada de avaliação

16/09/2021 17:09

Movimento sindical já solicitou suspensão das novas regras e abertura de negociação

“A Caixa está transformando a política de gestão de pessoas em gestão de resultados”, essa é a síntese do diretor do Sindibancários/ES Ronan Vieira Teixeira ao criticar o formato do programa de Gestão de Desempenho de Pessoas da Caixa (GDP) para o ciclo 2021, lançado em agosto. 

A principal mudança é a implementação de uma curva forçada de avaliação, na qual a classificação dos empregados é ranqueada a partir de percentuais pré-estabelecidos. Pelo menos 5% dos bancários devem ficar classificados na pior faixa, a “desempenho não atende”; aproximadamente 65% devem estar na faixa de “baixo desempenho”, “desempenho mediano” e “bom desempenho”, e até 30% devem estar posicionados em “desempenho superior” e “desempenho excelente”, sendo este último restrito a 5% dos empregados.  

A justificativa da Caixa é de que o grande número de empregados com avaliações positivas nos ciclos anteriores do GDP seria resultado não da qualidade e capacidade de trabalho dos bancários, mas de um “erro de leniência” dos avaliadores, ou seja, haveria uma tolerância excessiva dos gestores na avaliação interna. Para corrigir o que o banco entende como uma “distorção” nos resultados, ele limita a melhor classificação a 5% dos bancários e, ao mesmo tempo,  torna obrigatório o enquadramento de no mínimo 5% dos trabalhadores na classificação de pior desempenho. “Não importa se todos tiverem um desempenho satisfatório, alguém sempre terá que ser enquadrado entre os que não atendem os requisitos do programa”, frisa o diretor. 

Para o Sindicato, o GDP, que já era considerado o principal instrumento de assédio moral na Caixa, adquire um potencial ainda mais devastador. “O objetivo do programa sempre foi segregar a categoria e pressionar por resultados, mas esse formato é mais severo na destruição da solidariedade e do trabalho em equipe, que sempre foram pilares do trabalho na Caixa”, afirma Ronan. 

Ele destaca ainda que não há clima nas agências para implementação desse tipo de ranqueamento e que a notícia está sendo recebida com temor, inclusive pelo corpo gerencial.  

“Não há ambiente para esse nível de competitividade e individualismo. Nós somos o banco que faz mutirão da habitação, que se mobiliza para garantir o pagamento do auxílio emergencial, com funcionários comprometidos com a função pública da Caixa. Esse tipo de gestão foge do objetivo social da Caixa e está sendo recebido como uma bomba”.  

Vale destacar que os critérios de avaliação têm como parâmetro o cumprimento de metas estabelecidas de forma arbitrária pela Caixa e também questionadas pelo corpo funcional. 

CEE Caixa pede suspensão de novas regras

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e a Comissão de Empresa dos Empregados da Caixa (CEE-Caixa) já oficiaram o banco  solicitando a suspensão das novas regras do GDP e a abertura de negociação em mesa permanente. 

No ofício, a entidade observa que a curva forçada é uma prática em desuso entre organizações e áreas de gestão de recursos humanos, e que “Por seu caráter gerador de desgastes e desagregador nas relações de trabalho entre a empresa e os trabalhadores e, horizontalmente entre os empregados, reforça inúmeras injustiças nestas relações.”

O documento também sustenta que “O desenvolvimento dos empregados deve ocorrer em ambiente de cooperação, com objetividade e se afastar o estímulo à competição. O Programa de Gestão de Desempenho de Pessoas – GDP não deve ser um instrumento potencializador de práticas de assédio moral e de intimidação contra os empregados.