Arte e ilustração de @ibraimnascimento

No Dia Mundial do Meio Ambiente, 05 de junho, o Brasil tem muito pouco a comemorar. Desde o início do governo, o presidente Jair Bolsonaro adotou uma política de beneficiamento aos algozes do meio ambiente, como grileiros, madeireiros e fazendeiros, e de perseguição aos povos originários, que são os principais protetores das reservas ambientais do país.

O resultado desse governo criminoso é o aumento desenfreado do desmatamento ilegal e das queimadas – principalmente na Amazônia -, o crescimento da ocupação ilícita de terras públicas e indígenas, liberação de exportação de madeira nativa e o aumento do genocídio dos povos indígenas. Para embasar a devastação ambiental que assola o país, o governo Bolsonaro iniciou uma ampla flexibilização das normas ambientais, fez nomeações sem nenhum critério técnico para cargos importantes da pasta do Meio Ambiente, cortou o orçamento, paralisou o Fundo Amazônia e chegou a legalizar a exploração de áreas de Mata Atlântica ocupadas irregularmente, medida que foi revogada nesta quinta-feira, 04.

Para um governo sem escrúpulo e nenhum compromisso com o meio ambiente, vale tudo, inclusive usar a pandemia do coronavírus para acelerar a execução de seus projetos destruidores. A divulgação do áudio da reunião ministerial do dia 22 de abril escancarou esse propósito. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o governo deveria aproveitar o momento para afrouxar as normas de proteção ao meio ambiente:

“Então para isso precisa ter um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só se fala de ‘covid’, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, disse.

Os povos originários também estão na mira do governo Bolsonaro. Mesmo em meio ao enfrentamento à pandemia do coronavírus, que já chegou às comunidades indígenas, os índios continuam firmes na luta contra a destruição do Meio Ambiente. Uma das principais lideranças indígenas do país, Sônia Guajajara, falou sobre a luta do seu povo em post em uma rede social:

“Em meio a uma grave pandemia que já matou mais de 30 mil pessoas no Brasil , sendo quase 200 indígenas, não temos o privilégio de dedicar o nosso trabalho apenas para combater o novo coronavírus pois o desmatamento continua crescendo , nossos territórios invadidos e as medidas legislativas no Congresso prontas para liberar a passagem da boiada de Salles e Bolsonaro. É hora de dar um basta !! A Mãe Terra grita de dor , a humanidade precisa olhar para as causas desse desmatamento e vir junto com os povos que vivem e morrem para proteger seus territórios . Não é muita terra pra pouco índio.  Nós é que somos poucos para proteger a vida de tanta gente !!”.

Ações contra o governo

Nesta sexta-feira, 05, no Dia Mundial do Meio Ambiente, a Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), quatro partidos políticos –PSOL, PSB, PT e Rede Sustentabilidade –, Greenpeace e Instituto Socioambiental (ISA) entraram na Justiça com ações contra o governo Jair Bolsonaro.  Baseadas em documentos produzidos pelo Observatório do Clima, as ações denunciam a exportação de madeira sem fiscalização e o congelamento dos fundos Amazônia e o Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas (Fundo Clima).