O Governo Federal confirmou a indicação de André Brandão para a presidência do Banco do Brasil. O executivo deixa a direção do Global Banking para as Américas do HSBC para substituir o demissionário Rubem Novaes, que deixou o comando do BB no fim de julho. A direção do banco público comunicou o fato relevante ao mercado na última sexta-feira, 14.
Indicação pessoal de Paulo Guedes, Brandão foi escolhido para o cargo justamente pelo seu perfil eminentemente de mercado e com experiência internacional, pré-requisitos que vão ao encontro dos anseios privatistas do ministro da Economia.
O executivo chega ao BB com a missão de liquidar a carteira de investimentos da BB DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários), com valor estimado de um trilhão de reais. A Previ, caixa de previdência dos empregados do banco – que tem cerca de R$ 180 bilhões em ativos – é outra fatia lucrativa do BB que estaria na mira de Guedes.
A confirmação do nome de Brandão já era dada como certo no mercado. Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Goretti Barone, o novo presidente tem a missão de dar continuidade aos planos do ministro de privatizar o banco. Na fatídica reunião do dia 22 de abril de Bolsonaro com a equipe ministerial, que se tornou pública, Guedes afirmou em tom histriônico que seu desejo era vender “a porra do Banco do Brasil”.
Aliás, lembra Goretti, o HSBC estava sob a presidência de André Brandão em 2016 quando o banco britânico foi vendido ao Bradesco. “Guedes premeditadamente escolheu um executivo com perfil de negociar empresas. É mais uma ameaça deste governo ultraliberal que quer liquidar o patrimônio público dos brasileiros”, adverte.
“Enquanto Bolsonaro estiver na Presidência do país, as empresas públicas estão em risco”. A dirigente cita como exemplo as recentes investidas de Guedes para se apropriar da Previ. Ela destaca o quanto foi importante a Chapa 1 ter vencido agora em julho as eleições que garantiram por mais quatro anos a representação nos conselhos da Previ do grupo alinhado aos interesses dos associados.
“O grupo representado pela Chapa 2 queria vencer de qualquer maneira para facilitar os planos de Guedes de aparelhar o fundo de pensão. Mas a Chapa 1 conquistou a vitória com o apoio da grande maioria das entidades do movimento sindical e do funcionalismo, e agora, mais do que nunca, tem o compromisso de fazer a defesa da Previ. Seja com Novaes, Brandão, não importa. Vamos continuar defendendo o BB e os bancos públicos de maneira geral das garras privatistas deste Governo”, afirma Goretti.
Quem é André Brandão
André Brandão entrou no HSBC em 1999. Antes passou pelo Citibank. Em 2003, se tornou diretor executivo do HSBC e em 2012 CEO do banco no Brasil. Logo após ele assumir o comando do HSBC veio à tona o escândalo internacional Swissleaks, esquema de sonegação fiscal e evasão de divisas envolvendo as operações do HSBC no Brasil.
Em maio de 2015, Brandão foi convocado para prestar esclarecimentos à CPI do Senado que investigava movimentações suspeitas de brasileiros com contas nas agências do HSBC em Genebra. Essas contas teriam chegado a movimentar mais de 7 bilhões de dólares. O executivo simplesmente alegou à CPI que a filial brasileira do HSBC não tinha dados a respeito.
A CPI que fora aberta com a expectativa de desvelar um grande escândalo envolvendo um dos bancos mais poderosos do mundo teve desfecho patético. Correu à época nos bastidores do Senado que um poderoso lobby do banco teria ajudado a sepultar a CPI, que no relatório final não indiciou ninguém. Por votação simbólica, com parecer do então senador-relator Ricardo Ferraço, a CPI, que pretendia investigar contas ilegais de brasileiros no exterior, foi arquivada.
Logo depois, o Bradesco compraria o HSBC e o banco inglês encerraria suas operações no Brasil. Brandão deixaria a presidência do HSBC no Brasil com a venda, mas seguiria como diretor de Global Banking and Markets para as Américas do HSBC, cargo que exerce atualmente.
“É para um executivo com esse currículo que o governo Bolsonaro está entregando o patrimônio dos brasileiros fundado em 1.808. Segundo a dirigente, o sepultamento da CPI do HSBC deixou de revelar a verdade sobre as operações do banco, que à época estava sob a gestão de Brandão. “Ficaram muitas perguntas sem respostas nesse escândalo. Tudo que não queremos para o BB neste momento é um executivo com perfil privatista e envolvido em episódios nebulosos”, critica Goretti.
Foto capa: Marcelo Camargo/Agência Brasil









