Os empregados dos Correios (ECT) iniciaram na noite da última segunda-feira, 17, uma greve nacional. A paralisação é em defesa da vida, dos direitos dos mais de 100 mil trabalhadores e contra a privatização da empresa. De acordo com o comando de greve, mais de 70% dos empregados aderiram à paralisação. No Espírito Santo, a decisão pela greve foi tomada durante uma assembleia geral extraordinária convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios Prestadora de Serviços Postais, Telegráficos, Encomendas e Similares do Espírito Santo (Sintect-ES), realizada na Praça Oito, no Centro de Vitória.
As informações dos bastidores da greve apontam que a direção da ECT, na pessoa do General Floriano Peixoto, tenta exterminar direitos básicos dos trabalhadores como adicional de férias, diminuir o valor do tíquete de alimentação e eliminar mais de 70 cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). As conquistas ameaçadas, afirmam os grevistas, não são privilégios ou tampouco “mimos” concedidos pelos governos, mas direitos fundamentais garantidos ao longo dos anos de muita luta dos trabalhadores dos Correios.
O Sindicato dos Bancários/ES manifesta total apoio à greve dos Correios e repudia mais um ataque do governo Bolsonaro às empresas públicas. “A greve dos empregados dos Correios é um movimento legítimo de resistência ao este governo que está sempre contra a classe trabalhadora e a serviço dos interesses das elites empresariais. A privatização dos Correios significaria a demissão de milhares de trabalhadores no momento em que o país atravessa a mais grave crise sanitária dos últimos 100 anos com impactos devastadores nos índices de desemprego. Não podemos nunca deixar de lembrar: já são mais de 110 mil mortos pela covid”, sublinhou Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que representa o Espírito Santo no Comando Nacional dos Bancários.
Defesa à vida
A Federação Nacional de Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) informa que desde o início da pandemia foi necessário travar na Justiça uma verdadeira “guerra de liminares” para garantir equipamentos mínimos de proteção, testagem dos empregados e afastamento dos grupos de risco. Segundo a FENTECT, essa ação negacionista da empresa expõe não só a vida dos trabalhadores, mas também da população.
A Federação chama a atenção para a quantidade de óbitos de trabalhadores contaminados pela covid. A partir de informações coletadas pelos sindicatos filiados, a Federação estima que ao menos 70 empregados morreram vítimas da covid. “É importante que a população apoie a greve. Essa é luta em defesa da vida e pela manutenção de direitos. Os trabalhadores não podem ser criminalizados porque estão lutando por direitos”, enfatizou Carlão.
Nas mãos do STF
Até a próxima sexta-feira, 21, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve se manifestar se irá prorrogar por mais um ano as cláusulas da negociação aprovadas no ano passado. Caso a decisão seja favorável à manutenção dos atuais benefícios previstos no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), existe a possibilidade de a greve ser suspensa. De acordo com a FENTECT, a área jurídica dos sindicatos está fazendo um trabalho de articulação para tentar sensibilizar os ministros do STF e para atender ao pleito da categoria. “Estamos acompanhando o julgamento no STF. A greve pode se estende até o próximo mês ou acabar na sexta-feira, dependendo do resultado. Se o STF restabelecer a sentença normativa, vamos levar para a categoria, mas com certeza não há mais necessidade de manter a greve”, afirmou o dirigente da Federação, Emerson Marinho, ao portal UOL.
Até agora, segundo a FENTECT, o ministro Dias Toffoli votou para que o acordo tenha apenas um ano de duração, o que não atenderia o pleito dos trabalhadores. Ainda faltam os votos dos outros ministros que tem até a próxima sexta-feira para que o plenário virtual da corte chegue a uma decisão.








