A 27ª edição do Grito dos Excluídos e das Excluídas, ocorrida nesta terça-feira (7), foi uma confirmação da “esperança na luta e na resistência”, afirma a coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima. A concentração do ato começou às 8h30, na praça Getúlio Vargas, no Centro de Vitória, de onde os manifestantes seguiram rumo à Câmara Municipal de Vitória. Para Rita, uma das marcas da edição deste ano foi a diversidade.

Rita Lima afirma que o Grito possibilitou mostrar a realidade de retirada de direitos do povo brasileiro
“Foi bonito. Reuniu uma diversidade de movimentos, como os quilombolas; indígenas, que vieram de Aracruz; sindicatos; centrais; movimentos populares e pastorais sociais. Foi importante para colocar a situação do povo com o governo Bolsonaro. Quase 600 mil pessoas morreram de Covid-19 em nosso país, um terço da população está em situação de insegurança alimentar, vivemos ataques ao meio ambiente, às comunidades tradicionais”, denuncia.
Rita Lima destaca ainda que o Grito foi um ato de “resistência da população organizada, com todos unidos em defesa da vida e da democracia”. Este ano, o Grito teve como lema “Vida em Primeiro Lugar”, e o lema, “Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já!”. O Sindibancários participou do eixo Terra, Território, Teto e trabalho: a Esperança Está na Organização Popular; juntamente com movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) e a Pastoral Operária (PO).

Diretores do Sindibancários em frente à Prefeitura Municipal de Vitória, que foi o ponto de chegada do Grito
Os demais eixos foram Juventude: Protagonismo Juvenil e Participação Popular; Vacina Já, para Todos e Todas; Soberania e Princípio Democrático; Militarização: Racismo e Preconceito; Esperançar: Nós Podemos Reinventar o Mundo; e Mulheres: Equidade e Direitos. Para o diretor do sindicato, Idelmar Casagrande, a ampla participação popular expressou o descontentamento das pessoas com o governo Bolsonaro.
“Foi uma manifestação em defesa da liberdade, da questão dos direitos, não somente os direitos políticos, mas também os trabalhistas, da população negra, indígenas, mulheres e tantos outros grupos sociais que estão vivendo ataques constantes”, diz. A também dirigente do sindicato, Claudia Patrícia Ribeiro, destaca a participação de pessoas de todas as faixas etárias. “A Beira Mar ficou lotada de pessoas mais jovens, mais velhas, crianças, todo mundo com a mesma bandeira, pedindo ‘fora, Bolsonaro!’, vacina no braço e comida no prato”, diz.

Manifestantes também pediram “Fora, Bolsonaro!”
O Grito dos Excluídos e das Excluídas foi realizado na véspera da continuação do julgamento do Marco Temporal, no Supremo Tribunal Federal (STF), que acontece nesta quarta-feira (8). Caso seja aprovado, serão consideradas terras indígenas somente as que já estavam sob posse dos índias e índias antes de 1988, quando a Constituição Federal foi promulgada. Indígenas de Aracruz participaram do Grito para dizer não ao Marco Temporal e destacar também a luta das mulheres indígenas de todo o Brasil. Elas se encontram em Brasília para a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, marcada por protestos que começaram nesta terça-feira (7) e vão até sábado (11).
Eixos
No eixo Juventude: Protagonismo Juvenil e Participação Popular, foi destacado, por exemplo, que a participação social, política, e na formulação, execução e avaliação de políticas públicas é um direito fundamental das juventudes. Durante o Grito, os jovens destacaram a realidade de desemprego, a não garantia de alimentação digna, educação e cultura. Também denunciaram o sucateamento da educação, a não possibilidade de acesso e permanência de estudantes de origem popular nas instituições de ensino, o que provoca o aumento da evasão, além de denunciarem o extermínio da juventude negra e as operações policiais nas favelas.
A má gestão da pandemia da Covid-19 no Brasil e o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) são algumas das denúncias feitas no eixo Vacina Já, para Todos e Todas.
O eixo Soberania: Princípio Democrático levou para as ruas a insatisfação das brasileiras e brasileiros com o abandono dos interesses nacionais na condução da política externa. A atuação violenta das forças policiais em territórios como aldeias indígenas, comunidades quilombolas, favelas e as periferias foi destacada no eixo Militarização: Racismo e Preconceito. No Mulheres: Equidade e Direitos, serão denunciadas mazelas como o alto índice de violência doméstica no Brasil.
Por fim, o eixo Esperançar: Nós Podemos Reinventar o Mundo, trouxe a necessidade de manter firme o sonho de uma sociedade mais justa e igualitária, fortalecendo os movimentos de luta e resistência, as ações solidárias e outras iniciativas que buscam a garantia de direitos e a vida com dignidade.

