Home Office: Bradesco faz pesquisa para avaliar expectativa dos empregados

11/08/2020 12:37

Em processo de reestruturação, banco quer saber, entre outras informações, se home office veio para ficar e se traz mais vantagens para o empregado

Desde o início da crise sanitária, em março, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou o isolamento social como a medida mais efetiva para evitar a propagação do coronavírus. Alguns segmentos empresariais que já flertavam com o chamado teletrabalho ou home office viram na pandemia a oportunidade de acelerar esse processo. Os bancos foram um dos setores da economia que aderiram rapidamente à modalidade.

O Bradesco, que passa por um processo de reestruturação, está fazendo uma pesquisa para identificar as expectativas dos seus empregados com relação ao trabalho remoto. O levantamento quer saber, entre outras informações, se o empregado consegue desenvolver todas as suas atividades profissionais de casa, se está satisfeito com o home office, se a modalidade veio para ficar e se é mais vantajosa para o empregado em relação ao trabalho presencial.

Em declarações recentes à imprensa, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou que o banco pretende fechar 400 agências ainda este ano. “O interesse em aderir em definitivo o teletrabalho pode estar relacionado aos planos de encolher a malha de agências físicas do banco”, afirma o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Fabrício Coelho. Dentro desse plano, ele diz que no Espírito Santo o Bradesco acabou fechar a agência da Praia da Costa, em Vila Velha, e os empregados foram remanejados para o home office.

Fabrício afirma que o teletrabalho, processo que poderia demorar quatro ou cinco anos para ser implementado pelos bancos, virou realidade da noite para o dia com a pandemia. Ele pondera, porém, que é preciso analisar criteriosamente quais são os impactos do home office para os bancários e as bancárias. “Não por acaso o home office se transformou em um dos eixos mais importantes da Campanha Nacional dos Bancários deste ano. Há muitas questões em jogo que precisam ser discutidas com cautela para que o teletrabalho não vire vilão e retire ainda mais direitos dos trabalhadores. Por isso a regulamentação é tão importante para a categoria e figura como uma das cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)”, assinala.

Sobre a pesquisa que o Bradesco está fazendo, Fabrício afirma que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acabou de concluir um estudo bastante completo com mais 11 mil bancários em todo o país para avaliar os impactos do teletrabalho na vida profissional e pessoal dos bancários e das bancárias.

O estudo do Dieese – apresentado aos bancos na primeira mesa de negociações da Campanha Nacional- apontou que o teletrabalho provoca problemas de saúde, gastos adicionais para os trabalhadores, problemas com a falta de mobiliário adequado, entre outras dificuldades.

A seguir, alguns recortes da pesquisa do Dieese feita a pedido do Comando Nacional do Bancários.

Mulheres

De acordo com a pesquisa, 35,8% das mulheres afirmam que o home office tornou o trabalho delas mais difícil do que antes. Ter filhos em idade escolar em casa complica a vida de 42,1% de quem está em teletrabalho.

Saúde

A saúde dos bancários tem impactos com o teletrabalho, diz a pesquisa. Dos entrevistados, 72,6% disseram que estão sempre preocupados com o trabalho. Fadiga constante e cansaço são sintomas de 60,6% dos consultados. Dores musculares afetam 63,4% e 54,3% têm medo de serem esquecidos pelas chefias, perderem oportunidades profissionais ou perdem o emprego com o afastamento do local original de trabalho.

Mais gastos

Desde que entraram em teletrabalho, 32,1% dos bancários entrevistados disseram que tiveram suas contas de internet mais caras. Também aumentaram os gastos com contas de luz, de acordo com 78,6%. A despesa com supermercado também saltou, de acordo com 72% dos entrevistados.

Horas a mais

A pesquisa do Dieese revela também que para 36% dos entrevistados a jornada de trabalho aumentou; 32% disseram que não têm qualquer controle sobre o cumprimento da jornada. Os que estão em piores condições, 26% na pesquisa, são os que dizem que estão trabalhando mais do que antes sem receber hora extra ou acúmulo no banco de horas.

O dirigente destaca que o teletrabalho gera problemas que mexem diretamente no bolso do empregado, passando pela falta de condições adequadas de trabalho e que causam sérios impactos na saúde física e metal do trabalhador. “Repito, o tema é complexo e precisa ser tratado com cuidado para o home office não se transformar uma solução para os bancos e um problema para o empregado”, alerta Fabrício Coelho.