(Atualizada às 17h45) Quarto entre os grandes bancos a apresentar os resultados do 2º trimestre de 2022, o Banco do Brasil seguiu a escalada de lucro dos concorrentes (Itaú, Bradesco e Santander), e reportou a marca recorde de R$ 7,8 bilhões. O lucro líquido ajustado divulgado nessa quarta-feira, 10, é 18% superior ao do 1º trimestre de 2022 e de 54,8% no comparativo com o mesmo período de 2021. No acumulado do semestre, o lucro líquido foi de R$ 14,4 bilhões, alta de 44,9% em relação ao 1º semestre do ano passado (quadro comparativo abaixo).

“Os resultados retumbantes do BB e dos outros grandes bancos impressionam porque acontecem em meio a uma conjuntura adversa para a grande maioria da população brasileira. Nesses últimos anos passamos por uma crise sanitária de escala mundial que, aliás, ainda não acabou; estamos mergulhados numa crise econômica gravíssima, com inflação de dois dígitos corroendo o poder de compra do trabalhador, além do desemprego, da miséria e da fome. Não bastasse todo esse quadro caótico, ainda precisamos lutar pela sobrevivência da democracia, que respira por aparelhos sob a ameaça iminente de um golpe que vem sendo desenhado por Bolsonaro”, afirma a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone.
No informativo sobre os bons resultados alcançados, que veio muito acima das previsões dos analistas do mercado, que estimavam R$ 6,48 bilhões, o BB atribuiu o lucro recorde, principalmente, à elevação do crédito. A carteira de crédito ampliada do Banco do Brasil somou R$ 919,5 bilhões no 2º trimestre, um crescimento de 19,9% na comparação com junho de 2021 e de 4,1% em relação ao mês de março.
A dirigente assinala que a robustez financeira festejada pelo BB é conquistada à custa da exploração dos seus funcionários, que são pressionados a cumprir metas cada vez mais abusivas e desumanas. “O resultado desse modelo de gestão, que tritura o trabalhador, é uma massa de bancários e bancárias adoecidos, sobretudo por doenças mentais, consequência dessa relação de assédio”.
Os problemas de saúde e as condições de trabalho precárias, segundo Goretti, não aparecem na curva ascendente de lucro do BB, mas afetam o dia a dia do bancário. “Por exemplo, os funcionários da agência de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, estão cortando um dobrado por conta dos transtornos causados pela reforma da unidade, que está em desacordo com as normas de segurança do trabalho. Não dá para quebrar parede e fazer poeira com o bancário trabalhando. O ambiente se torna insalubre para o trabalho. São detalhes que mostram que o banco não se importa com o bem-estar dos seus funcionários e clientes”.
Os cortes de pessoal, a insistência do banco em retirar os dispositivos de segurança que protegem as vidas de funcionários e clientes, continua Goretti, são outros exemplos que mostram que o foco do banco é exclusivamente nos resultados, e não nas pessoas.
Ela afirma ainda que esse descaso repercute na mesa das negociações da campanha salarial deste ano. Goretti afirma que os representantes do BB têm adotado a estratégia da indiferença. “Eles se mostram impassíveis diante das nossas reivindicações. Não dizem nem sim nem não às nossas propostas. Essa postura chega a ser desrespeitosa com os bancários, porque revela um total descaso com as nossas demandas”, desabafa a dirigente.









