Intersindical e outras centrais propõem aumento real do salário mínimo

04/04/2023 18:06

O documento entregue ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) reivindica que o salário mínimo tenha reajustes reais até o fim do governo Lula

A Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, junto com outras centrais, entregou nessa segunda-feira, 03, um documento ao Ministério do Trabalho e Emprego, propondo reajustes reais para o salário mínimo até o fim de 2026 – último ano do governo Lula. As centrais reivindicam que o mínimo seja reajustado anualmente considerando três variáveis: a inflação do ano anterior, o resultado do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e mais 2,4%. As entidades também sugerem que essa política de reajuste seja reavaliada a cada dez anos, com o propósito de medir sua efetividade.

Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, coordena a reunião com as centrais sindicais, que também contou com a presença de representantes dos ministérios da Economia e Planejamento

Um trecho do documento entregue ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, explica: “Desse modo, garante-se que ao final do período da política, independenteme dos ciclos econômicos, se chegará ao valor definido, o que ocorrerá mais rapidamente com a aplicação do aumento real do PIB nos anos em que ele crescer acima dos 2,4% ao ano”. A proposta aponta ainda que o salário mínimo teria um aumento real de 3,85% ao ano ( 2023 e 2026), e de 4,2% ao ano (2024-2026).

Rita Lima, coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, filiado à Intersindical, afirma que as perdas impostas pelos governos de Temer e Bolsonaro foram desastrosas para a classe trabalhadora. “Bolsonaro desmontou as áreas de saúde, educação, ciência, cultura, meio ambiente… Enfim, não deixou nada em pé. Não bastasse, a política neoliberal retirou direitos, precarizou as relações de trabalho e reduziu o poder de compra do trabalhador. A proposta de reajuste real do salário mínimo apresentada pelas centrais reforça o compromisso de campanha do presidente Lula, que prometeu reajuste real ‘todo ano’”, recorda Rita Lima, que também é dirigente nacional da Intersindical.

Mínimo encolheu sob Temer e Bolsonaro
Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que o salário mínimo registrou reajustes reais sob os governos de Lula e Dilma (2003 a 2016) e perdas ou reajustes no limite da inflação nos governos de Temer e Bolsonaro (tabela abaixo). Nos governos Lula e Dilma, o salário mínimo teve reajuste acumulado de 340%, enquanto o INPC-IBGE ficou em 148,34%. O aumento real do salário mínimo no período foi de 77,18%. A política de valorização foi aplicada até 2019, ano em que Bolsonaro assumiu o governo.

 

Na proposta assinada pela Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, CUT, CTB, CSB, Força Sindical, UGT, NCST e Pública Central do Servidor, o principal foco é recuperar as perdas salariais dos últimos governos e valorizar o trabalhador, tendo como resultado a melhora da qualidade de vida, reduzindo a desigualdade e em consequência o fortalecimento da economia brasileira.