
Um dia depois de ocupar as ruas de Vitória para celebrar o 8 de Março, o Dia Internacional de Luta das Mulheres, ação sindical realizada pelo Sindibancários/ES nesta sexta-feira, dia 9, emocionou mulheres bancárias e clientes com a apresentação das artistas feministas que integram o grupo Athenas. Usando o teatro e a música como estratégias de luta e resistência, o grupo percorreu junto com diretoras e diretores do Sindicato as agencias bancárias da Caixa, Itaú, Bradesco, Banestes, Santander e Banco do Brasil, localizadas no corredor bancário da Avenida Champagnat, em Vila Velha.
Elas apresentaram uma esquete teatral problematizando situações do universo feminino que muitas vezes estão envoltas em violência e são naturalizadas, como a maternidade, o casamento, a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, além da competitividade entre as próprias mulheres – a maioria dessas questões são produtoras de diferentes formas de violência contra as mulheres.

A diretora do Sindibancários/ES Renata Garcia destacou a desigualdade que atinge homens e mulheres no mundo do trabalho, inclusive no sistema financeiro. “As mulheres ainda ganham menos que os homens, são as que mais sofrem com o assédio moral, o assédio sexual, são as mais atingidas pelas doenças ocupacionais e pelo desemprego, e no banco isso não é diferente. Essas relações de desigualdade, que tentam impor à mulher um lugar de submissão, são construídas pela forma como nossa sociedade se organiza. Temos que romper com essa lógica”, destacou.
Lindalva Firme, também diretora do Sindicato, relembrou a importância do Dia Internacional da Mulher e o que a data representa na luta feminista. “O Dia Internacional da Mulher não é um dia de ganhar flores, mas de relembrar historicamente as lutas das mulheres por direitos. Todos falam que mulheres são maravilhosas e guerreiras, mas ninguém sabe no dia a dia o que é ser mulher. O que é lidar com a violência nas ruas, com o machismo e o racismo; o que é ser mãe, dona de casa e dividir as tarefas do lar”, afirmou a diretora.

Ela também enfatizou a importância de as pessoas não tratarem o feminismo com modismo e destacou as desigualdades sofridas pelas mulheres bancárias nas agências. “As mulheres chegam a ocupar cargos de gerencias nos bancos, mas isso acontece porque o banco as vêem como forma de atrair vendas de produtos. Já escutei gerente me pedindo para usar uma roupinha de bater metas. Qual o homem que escuta isso?”, questionou Lindalva.
Já a diretora Evelyn Flores abordou a importância do próprio movimento feminista ao tratar da questão do racismo sofrido pelas mulheres negras, do desemprego e da violência que elas vivenciam, reafirmando que o 8 de Março é também um momento para se encampar esta luta. “Ontem, foi o Dia internacional de lutas e fomos às ruas. Nós, mulheres, incluindo as mulheres da periferia, mais do que nunca estamos entendendo a força que temos juntas. Quando as mulheres se unem, as conquistas acontecem”, disse Evelyn Flores. Ela citou, ainda, a reforma trabalhista e da Previdência o fato de as mulheres serem as mais atingidas por esses retrocessos.

A ação cumpriu o objetivo de dialogar com bancárias, bancários e clientes, usando também a arte como elemento mobilização. “A arte é a melhor forma de dialogar neste momento. Ela mexe com a nossa sensibilidade e nos desloca do cotidiano que estamos acostumados. Com a apresentação do grupo Athenas, as mulheres tiveram a oportunidade de se reconhecer nas histórias trazidas pelas artistas, além perceber a sua força e a dimensão política de suas vidas”, avaliou Cláudia Garcia de Carvalho, bancária do Santander e dirigente sindical.

Confira a letra da música interpretada pelo grupo Athenas na ação sindical:
Triste, Louca Ou Má
Francisco, El Hombre
Triste louca ou má
Será qualificada
Ela quem recusar
Seguir receita tal
A receita cultural
Do marido, da família
Cuida, cuida da rotina
Só mesmo rejeita
Bem conhecida receita
Quem não sem dores
Aceita que tudo deve mudar
Que um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Você é seu próprio lar
Um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só
Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só
Eu não me vejo na palavra
Fêmea: Alvo de caça
Conformada vítima
Prefiro queimar o mapa
Traçar de novo a estrada
Ver cores nas cinzas
E a vida reinventar
E um homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar
Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só

Fotos Sérgio cardoso









