A rodada de negociações desta segunda-feira, 22, da Campanha Nacional dos Bancários 2022, foi marcada pela intransigência por parte dos bancos. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) insistiu em impor perdas para a categoria bancária ao apresentar uma proposta de reajuste de apenas 7,19% para os vales alimentação e refeição, o que corresponde a 81% da inflação geral e  apenas 43% da inflação dos alimentos acumulada dos últimos 12 meses. 

Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindicato dos Bancários/ES e integrante do Comando Nacional dos Bancários, afirma que os bancos seguem enrolando sobre a maioria das reivindicações apresentadas na minuta. “Já completamos 13 rodadas de negociação e os bancos não se manifestam sobre as nossas reivindicações entregues em meados de junho à Fenaban. Por exemplo, ainda não há resposta sobre a proposta de índice para correção dos salários e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR)”, aponta Carlão, que completa: “Definitivamente, os bancos estão empurrando a categoria para uma greve”, adverte. 

O dirigente diz que a proposta que veio até agora, se referindo à correção para os vales alimentação e refeição, chega a ser imoral ante os lucros recordes que os bancos vêm registrando nos últimos anos. “Só no primeiro semestre deste ano, os cinco maiores bancos do país [Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander e Caixa] apuraram, juntos, mais de R$ 56 bilhões de lucro. Não dá para avançar nas negociações com um jogo dessa maneira. Pleiteamos um aumento dos vales alimentação e refeição maior justamente para amenizar as perdas com a inflação dos alimentos no período. Em resposta, eles querem tirar mais do trabalhador. Não podemos e não vamos aceitar uma proposta rebaixada”, protesta Carlão.

Inflação come os vales

Segundo cálculos elaborados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com o reajuste proposto no VR o bancário precisa de praticamente um dia e meio para conseguir comprar um cafezinho a mais. Com o reajuste do VA (R$ 52,25 a mais por mês), não dá nem pra comprar meio quilo de café, um quilo de açúcar, um quilo de pão e 200g de manteiga. Para comprar estes produtos seriam necessários R$ 54,50.

Plenária nesta terça-feira

Sindicatos de todo o país vão realizar nesta terça-feira, 23, o Dia Nacional de Luta para informar aos bancários e aos clientes a quantas andam as negociações com os bancos. No Espírito Santo haverá uma plenária virtual nesta terça-feira, 23, às 18h30,  para discutir o andamento da campanha. 

Clique no link para ter acesso à plenária desta terça-feira (23), às 18h30

“O momento é de decisão. É muito importante que tenhamos uma participação maciça dos bancários e bancárias nesta reta final das negociações. Temos que demonstrar aos bancos nosso poder de pressão e de mobilização. Vamos fortalecer a plenária e reafirmar nossas principais propostas: reposição da inflação mais ganho real de 5%, fim do assédio moral e sexual, extinção das metas abusivas. Exigimos também o auxílio home office e melhores condições de trabalho, seja no modelo presencial ou virtual”, sublinha Carlão. 

Teletrabalho e outras reivindicações

Os bancos não apresentaram proposta para a ajuda de custo para cobrir os gastos que os bancários têm a mais com o teletrabalho. Com relação ao vale-transporte, também não responderam se atenderão a proposta de descontar o percentual de 4% apenas sobre os dias trabalhados presencialmente, e não sobre o mês inteiro.

As negociações também não avançaram com relação ao combate ao assédio moral e fim das cobranças abusivas sobre as metas. Com relação à proposta de combate ao assédio sexual, ficou agendada uma reunião para quarta-feira, 24, para que ONGs especializadas no tema apresentem propostas que possam ser discutidas.

Assembleias 

O integrante do Comando Nacional informa ainda que nos próximos dias deverão acontecer assembleias para avaliar o processo negocial. “Se houver evolução nas negociações, faremos o debate das propostas com a categoria. Caso contrário, temos que organizar a greve como legítimo instrumento de lutas para conquistarmos nossos direitos”, enfatiza Carlão. 

Próxima negociação

A próxima reunião de negociação será realizada nesta terça-feira, 23, a partir das 14h, presencialmente, em São Paulo.