O banco Itaú voltou a ser alvo de denúncias por práticas que prejudicam a saúde de seus funcionários. Segundo relatos apresentados por entidades sindicais, a instituição tem adotado medidas para dificultar o afastamento de trabalhadores em tratamento médico.
Após uma série de reuniões com o banco, nas quais foram apresentadas provas consistentes das irregularidades, não houve retorno por parte da empresa.
Diante da gravidade da situação, a Contraf enviou ofício ao Itaú solicitando a suspensão imediata das convocações relacionadas à ACL (Avaliação de Capacidade Laboral) e a realização de exames fora dos prazos previstos em lei. Até o momento, o banco não se posicionou.
Alcendino Anderson dos Santos (Sãozinho), diretor do Sindibancários/ES, ressaltou a gravidade da denúncia contra o Itaú: “Nenhum trabalhador pode ser pressionado, constrangido ou ameaçado por precisar cuidar da própria saúde. O banco não pode transformar tratamento médico e afastamento pelo INSS em instrumento de intimidação. Saúde e dignidade são direitos e o movimento sindical seguirá vigilante para defender cada bancário e bancária”.
As denúncias indicam que bancários e bancárias afastados enfrentam obstáculos para dar continuidade aos seus tratamentos de saúde. Entre os principais problemas relatados estão a exigência de múltiplas avaliações, a contestação de atestados médicos e, em diversos casos, a rejeição desses documentos — práticas que violam a dignidade dos trabalhadores.
Segundo Marcelo Dalarmelina, diretor do Sindibancários/ES, as dificuldades que o Itaú tem imposto para o afastamento de trabalhadores adoecidos são um reflexo direto de uma política que privilegia metas e lucro em vez da saúde.
“O banco tem dificultado o recebimento de atestados e ignorado o nexo causal entre o ambiente de pressão extrema e o adoecimento mental e físico dos bancários. Não aceitamos que o lucro seja construído à custa do esgotamento do bancário. Exigimos que o Itaú respeite os protocolos de saúde e garanta o direito legítimo de afastamento para quem precisa de tratamento e recuperação”, afirmou Marcelo.
Além disso, o Itaú vem promovendo o fechamento de agências, demissões e sobrecarga de trabalho, fatores que contribuem diretamente para o adoecimento da categoria. Agora, segundo as entidades, o banco também tenta impedir o acesso dos trabalhadores ao afastamento pelo INSS e à perícia médica, sob a justificativa de uma suposta “linha de cuidados”.
O público mais afetado são trabalhadores já afastados, com perícia agendada ou em fase de recurso administrativo — pessoas que necessitam de tratamento e que, mesmo assim, estariam sendo pressionadas e ameaçadas com medidas administrativas caso não concordem com as exigências do banco.
Para Ronan Teixeira, responsável pela Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho do Sindibancários/ES, também é importante que todo trabalhador que esteja adoecido, laudado e com atestado, seja afastado pelo INSS ou não, entre em contato com o Sindicato para que a entidade possa acompanhá-lo em todo o trâmite, não só do processo de adoecimento, mas para que consiga dar suporte e orientá-lo melhor no retorno ao trabalho.
“É inadmissível que os bancos, em geral, e em específico o Itaú, que tem um projeto de gestão assediadora e adoecedora de seus funcionários, com metas, fechamento de agências, demissões e sobrecarga de trabalho, faça ainda mais pressão e motorize essa relação de adoecimento”, declarou o dirigente.
Além disso, Ronan destacou a necessidade dos bancários e bancárias denunciarem ao Sindicato qualquer tipo de arbitrariedade durante o período de afastamento para evitar subnotificação nos casos de adoecimentos e para garantir os custos ao agente adoecedor, que é o banco Itaú. “Denunciar também para que os bancários não trabalhem adoecidos, como é o presenteísmo com atestados, que não são apresentados por medo de perder o emprego ou de serem mais massacrados ainda, e principalmente para que possam recuperar a saúde que foi roubada dos trabalhadores pelos bancos”, acrescentou.
Lizandre Borges, responsável pela Secretaria Jurídica, reforçou que a categoria pode e precisa procurar o Sindicato caso tenha dificuldade com o afastamento ou esteja sendo pressionada pelo banco.
“Nenhum trabalhador deveria ser coagido a não cuidar de sua saúde ou, ainda, ter que seguir trabalhando quando deveria estar afastado. Essa exigência pode, não só agravar seu estado de saúde, mas também configurar assédio moral no ambiente de trabalho”, afirmou Lizandre.
Fonte: Contraf com edições Sindibancários/ES.

