Enquanto os atletas lutam para quebrar recordes nas Olimpíadas de Paris, o Itaú acumula mais um recorde histórico. A premiação não é reconhecida por medalhas, mas por dividendos que o banco distribui para seus acionistas. O maior banco privado da América Latina registrou lucro de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2024. O novo recorde é 15,5% maior em relação ao mesmo período do ano passado. No semestre, o resultado chega a impressionantes R$ 19,8 bilhões.
Apesar dos resultados, o banco tem se mantido intransigente na mesa de negociações para atender às reivindicações das bancárias e bancários, em plena campanha salarial. “Os principais responsáveis por esse lucro são os trabalhadores, mas o Itaú não os valoriza. Ao contrário, o banco vem fechando postos de trabalho e agências com o propósito de aumentar ainda mais suas margens de lucro. Não há limites”, critica o dirigente do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo, que também integra o Comando Nacional dos Bancários. Ele acrescenta: “Não bastasse, a cobrança desumana de metas para bater esses recordes seguidos tem sido o principal gatilho do adoecimento mental do trabalhador”, adverte.
O dirigente aponta que até junho o Itaú tinha 86.293 empregados no país. O banco fechou 1.785 postos de trabalho e mais de 150 agências bancárias nos últimos 12 meses. “Essas demissões mostram que o Itaú é uma empresa socialmente irresponsável, que pensa única e exclusivamente no lucro e nunca no bem-estar dos seus empregados e familiares”, afirma Carlão.
Trimestre após trimestre, diz o dirigente, bater recordes de lucro se tornou o novo normal para o Itaú. “Não há nada de normal nesses resultados”. Para entender a dimensão do que representa um lucro de R$ 10 bilhões, aponta o dirigente, é importante usar algumas escalas comparativas. “Os orçamentos dos municípios da Grande Vitória [Vitória, Serra, Cariacica e Vila Velha], somados, chegam a R$ 9,6 bilhões em 2024. É isso mesmo, o Itaú lucrou em 90 dias os recursos equivalentes de quatro municípios que atendem cerca de 1,7 milhão de pessoas”, aponta Carlão.
As escalas comparativas, continua Carlão, também poderiam ser outras. “Com R$ 10 bilhões, o governo federal poderia bancar o bolsa família para quase 15 milhões de famílias, considerando o benefício médio de R$ 682,00 por família”, compara o dirigente.
Ele acrescenta: “Ao mergulhar nos dados do resultado do Itaú, cada número gera um novo impacto. Por exemplo, no comparativo com o segundo trimestre do ano passado, o banco aumentou em 4,2% as receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias. Estamos falando de R$ 24,4 bilhões. Esse é o orçamento do meu Estado, o Espírito Santo, para este ano, ou seja, só com tarifas o Itaú faturou o valor que o governo capixaba tem disponível para gerir um Estado com quase 4 milhões de habitantes”, aponta.
Outros números do lucro do Itaú – 2T24

(Fonte:Genial)

