Com o fechamento dos resultados do 1º trimestre de 2022, a Caixa viu seu lucro líquido contábil despencar 44,6% no comparativo com o mesmo período de 2021. A queda abrupta é explicada pela IPO (Oferta Pública Inicial de Ações) da Caixa Seguridade, que inflou o lucro do banco no 1º trimestre de 2021 para R$ 4,58 bilhões.
“A IPO da Caixa Seguridade mascarou os resultados do ano passado. O lucro, à época, muito festejado pelo presidente Pedro Guimarães, era ilusório. Agora voltamos à realidade. Não temos mais o ativo que gerava receitas para a Caixa. Isso compromete a sustentabilidade do banco, que perde sua capacidade de investir principalmente em políticas públicas”, alerta a diretora do Sindicato dos Bancários/ES e membro da Comissão Executiva de Empregados (CEE-Caixa) Lizandre Borges.
Contradição
A dirigente lembra que em 1990 a Caixa se transformou em banco múltiplo, descaracterizando a sua concepção inicial de banco social. “Na época, fomos contra porque prevíamos que a mudança poderia distanciar o banco do seu papel social. Lamentavelmente, esse modelo foi implantado e está consolidado há anos. Mas o que chama atenção agora é o fato de Pedro Guimarães estar se desfazendo dos ativos do braço comercial do banco. Esse processo de fatiamento dos ativos da Caixa irá esvaziar os investimentos do banco em políticas públicas”, adverte.
Nos últimos anos, alerta Lizandre, a Caixa vem perdendo sistematicamente receitas do FGTS e vendo sua participação no crédito imobiliário cair ano a ano. Em 2020, a Caixa perdeu R$ 2,2 bilhões em receitas com a gestão do FGTS. “Se de um lado a Caixa perde receitas no braço social do banco, de outro, encolhe também na frente comercial. Fica a pergunta: o que vai sobrar da Caixa depois da gestão de Pedro Guimarães?”, questiona.
1.700 clientes por empregado
A Caixa encerrou o 1º trimestre de 2022 com 86.850 empregados, com abertura de 4.974 postos de trabalho em 12 meses. Esse crescimento, contudo, atende à ordem judicial de convocação de aprovados em concurso realizado em 2014. Além disso, as novas contratações repõem apenas parte das perdas.
Segundo a dirigente, o processo de desmonte do banco, intensificado no governo Bolsonaro, passa também pela redução do quadro de empregados. Lizandre afirma que a convocação dos concursados de 2014 está longe de resolver a defasagem de empregados. Ela lembra que a Caixa tinha mais de 100 mil empregados em 2014. “Em oito anos, foram fechados quase 14 mil postos de trabalho, ao mesmo tempo em que o banco ganhou aproximadamente 2,7 milhões de novos clientes”. Segundo dados do Dieese, isso representa uma média de 1.700 clientes por empregado. “Essa defasagem gera uma sobrecarga desumana de trabalho para os bancários e bancárias da Caixa”, assinala Lizandre.

