O desmonte da Caixa já traz resultados: o lucro líquido do banco no primeiro semestre deste ano foi de R$ 4,4 bilhões, uma queda de 59,66% em relação ao mesmo período de 2021. O resultado no segundo trimestre do maior banco público do país foi de R$ 1,8 bilhão, 27% menor em relação ao trimestre anterior e o mais baixo dentre os cincos maiores bancos.

Em 2021, o lucro da Caixa foi inflado com a venda de ações da Caixa Seguridade (R$ 3,3 bilhões), do Banco Pan (R$ 1,9 bilhão) e com ganhos com a venda de ativos na participação relativa da Caixa Seguridade (R$ 1,5 bilhão). Com a privatização de uma das mais valiosas e lucrativas subsidiárias da Caixa, o resultado financeiro do banco despencou desde o primeiro trimestre do ano e a Caixa também perde valor de mercado.

“Não restam dúvidas que a privatização fatiada é o início do desmonte da Caixa. O setor de seguridade era responsável por boa parte do lucro do banco. Perdemos essa valiosa fonte de receita, que foi entregue a preço de banana para o setor privado.  A política privatista do governo Bolsonaro está comprometendo o futuro da Caixa. A queda do lucro é um impacto a curto prazo, mas se não cessarem a venda de ativos perderemos de vez esse potente banco, que há quase 200 anos atua pelo desenvolvimento econômico e social do nosso país. O estrago poderia ser ainda maior se não fosse a resistência dos empregados e das entidades representativas. É preciso, portanto, mais do que nunca ampliar nossa luta em defesa da Caixa 100% pública, contra qualquer forma de privatização e terceirização do banco”, aponta o diretor do Sindibancários/ES Ronan Teixeira.

De acordo com as demonstrações financeiras divulgadas pela Caixa, a queda no lucro seria ainda maior caso o banco não tivesse utilizado créditos tributários no primeiro semestre deste ano. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido do banco (ROE) ficou em 9,55%, com redução acentuada de 9,46 p.p.

Além desse resultado trágico, o recente relatório publicado Brand Finance Brasil 100 2022, apontou que a marca Caixa perdeu 32,1% de seu valor. A pesquisa engloba as 100 marcas mais valiosas do Brasil (confira o quadro abaixo).

 

Fonte: www.ritaserrano.com.br

Mais bancários e bancárias

Após mobilização das entidades representativas dos empregados, a Caixa atendeu a ordem judicial e convocou mais candidatos aprovados em 2014. Foram abertos 2.639 postos de trabalho em doze meses e o banco encerrou o 1º semestre de 2022 com 86.901 bancários e bancárias. Mas o quadro pessoal ainda é insuficiente para atender a ampla demanda do banco e pôr fim à defasagem de empregados.

A contratação de mais empregados torna-se ainda mais gritante diante dos dados sobre o número de novos clientes: foram aproximadamente 3,3 milhões de novos clientes no período, o que representa, em média, 1.714,4 clientes para cada bancário atender.  Em relação à rede de agências, não foram fechadas unidades e foram abertos 67 postos de atendimento, 384 unidades Caixa Aqui e 75 lotéricas em comparação ao primeiro semestre de 2021.

Demonstrações financeiras

Do período de doze meses, a Carteira de Crédito Ampliada da Caixa teve alta de 13,7%, e totalizou R$ 928,2 bilhões; no segmento de pessoas físicas, de 23,2% (R$ 127,3 bilhões); e no de pessoas jurídicas, de 8,2% (R$ 81,3 bilhões).

Com saldo de R$ 595,2 bilhões e participação de 64,1% na composição do crédito total, o crédito imobiliário cresceu 11%. As operações de saneamento e infraestrutura foram 2,2% maiores, e somaram R$ 93,6 bilhões. O maior destaque foi do crédito rural, que saltou 202,3%, totalizando R$ 30,8 bilhões.

A taxa de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias foi de 1,89%, com redução de 0,57 p.p. na comparação com o primeiro semestre do ano anterior. As provisões para perdas associadas ao risco de crédito foram de R$ 7,8 bilhões, acréscimo de 51,97%.

As receitas de prestação de serviços e de tarifas bancárias alcançaram R$ 12,2 bilhões no primeiro semestre de 2022, com crescimento de 5,49% em doze meses. As despesas de pessoal, já incluída a PLR, somaram de R$ 12,9 bilhões, com crescimento de 4,39%. Assim, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 94,45% no semestre.

Com informações da Contraf