O Santander reportou lucro líquido gerencial de R$ 3,78 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26). O resultado é 1,9% (cerca de R$ 73 milhões) menor em relação ao mesmo período de 2025. O lucro do Santander coloca o banco entre as 10 empresas mais lucrativas do país nos três primeiros meses do ano. A propósito, os bancos ocupam seis posições no ranking entre as 10 empresas que mais lucraram no 1T26. Apesar do resultado retumbante, o Santander segue com sua política de fechamento de postos de trabalho e agências.
O grupo Santander fechou 6.196 postos de trabalho no país nos últimos 12 meses. Somente no primeiro trimestre foram encerrados 554 contratos de trabalho. Ao mesmo tempo, o banco ampliou sua base de clientes em 3,4 milhões, totalizando 71,6 milhões de correntistas. “Essa conta não fecha. Hoje o banco tem pouco mais de 49 mil empregados, o que representa uma média de 1.400 clientes para cada funcionário. Os números são inequívocos. À medida que cresce o número de clientes, reduz o número de empregados. Essa equação resulta na sobrecarga de trabalho e no adoecimento dos bancários”, afirmou Claudio Merçon (Cacau), diretor do Sindicato dos Bancários/ES e membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander.
Cacau chamou atenção para o fato de o Santander estar intensificando o fechamento de postos de trabalho e agências nos últimos anos como parte da política do banco de reduzir custos para ampliar ainda mais as margens de lucro. O dirigente apontou que nos últimos 12 meses foram fechadas 258 agências e 225 PAB’s. “No relatório institucional do banco, o Santander trata o fechamento de agências como um processo natural da digitalização do banco, dando a entender que a rede física não é mais necessária”.
O dirigente afirmou ainda que essa política de fechamento de postos de trabalho e agências afetam os estados brasileiros de norte a sul. Cacau diz que no Espírito Santo foram fechadas cinco agências de dezembro para cá, de acordo com os dados do Banco Central. “Até dezembro o Santander tinha 22 unidades no Estado, agora são 17. Dá até para decorar onde estão as poucas agências que restam do Santander: são 10 na Grande Vitória e outras 7 em municípios-polo”.
Receitas com tarifas renderam R$ 5,7 bilhões
Outro sinal de que a saúde financeira do Santander vai muito bem, obrigado, são as receitas geradas com prestação de serviços e tarifas bancárias, que cresceram 5,7% em relação a março de 2025. Somente com essas receitas o banco contabilizou R$ 5,7 bilhões. O valor cobre com sobra as despesas de pessoal e PLR, que ficaram em R$ 3 bilhões, queda de 3,6% no período. Com esse resultado, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco (tarifas e serviços) foi de 199,1% no 1º trimestre de 2026.

