Os cinco maiores bancos do país tiveram lucro de R$ 53,383 bilhões nos nove primeiros meses do ano. As crise sanitária e econômica não impediram que os bancos se colocassem entre as empresas que registraram os maiores lucros do país em 2020. O resultado poderia ser ainda maior se os bancos não aumentassem o provisionamento, prevendo o risco de créditos de liquidação duvidosa (as PDDs), o que não se confirmou até o momento. Na média dos cinco bancos, o crescimento das despesas com PDD foi de 44,7%.
“Mesmo com a taxa de inadimplência muito baixa e em queda, os bancos aumentaram absurdamente o volume das provisões para cobrir os possíveis calotes. Estes valores são subtraídos do montante de lucro e prejudicam os resultados dos bancos”, explicou a economista Vivian Machado do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
“Com ou sem crise a escrita se repete: os bancos sempre lucram e muito. Mesmo aumentando provisionamento, os resultados põem Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil entre as 10 empresas brasileiras que aferiram os maiores lucros no terceiro trimestre deste ano”, diz o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire.
O dirigente lembra que os lucros astronômicos não facilitaram as negociações na campanha salarial deste ano. “Na mesa de negociação os bancos regatearam até o último momento. Endureceram as tratativas, alegando que não podiam conceder o reajuste salarial acima da inflação. No final das contas, os bancos impuseram perdas salariais à categoria com reajuste abaixo da inflação. Se lucrando as negociações tiveram esse desfecho, imagine o que seria negociar com os bancos se realmente o prejuízo fosse uma realidade para eles, diz Jonas.
Lucros dos bancos
A Caixa Econômica obteve um lucro de R$ 7,5 bilhões, com uma rentabilidade de 12,7%. No Itaú, o lucro foi de R$ 13,1 bilhões, com rentabilidade de 14%. No Bradesco, o lucro totalizou, aproximadamente, R$ 12,7 bilhões, com rentabilidade de 12,9%. O Banco do Brasil, por sua vez, obteve um lucro de R$ 10,2 bilhões no período, com rentabilidade de 10,3%; e, por fim, o Santander alcançou um lucro de R$ 9,9 bilhões, com uma rentabilidade que alcançou os 18,5%. Cabe destacar, no Santander, o crescimento do lucro do banco no 3º trimestre em relação ao trimestre anterior, de mais de 82%. Desconsiderando a provisão extraordinária por conta do cenário futuro previsto em função da pandemia, o lucro líquido chegaria a R$ 11.651 bilhões, representando uma alta de 7,6% em 12 meses.
Maquiagem do PDD
Estes cinco bancos divulgaram queda nos resultados na comparação com o terceiro trimestre de 2019, ano em que os bancos bateram todos os recordes de lucros. O resultado foi influenciado, principalmente, pelo crescimento médio de 44.7% do provisionamento para o risco de créditos de liquidação duvidosa (as PDDs).
“O crescimento das carteiras de crédito já apontava para um crescimento do provisionamento, mas, a perspectiva de deterioração no cenário econômico do país, com a paralisação abrupta de grande parte das atividades, ao final do 1º trimestre do ano, propiciou elevações mais significativas”, afirmou a economista do Dieese Vivian Machado.
Demissões
Os cinco bancos juntos fecharam mais de 12 mil postos de trabalho em 2020. Somente o Bradesco fechou 3.338 postos de trabalho nos últimos 12 meses. O Santander fechou, de abril a setembro, em plena pandemia, 2.045 postos.
Jonas destaca que o país atravessa um dos períodos mais críticos em relação ao desemprego. Ele lembra que são mais de 14 milhões de brasileiros desempregados, taxa recorde desde 2012, quando o IBGE passou a fazer o levantamento veja gráfico abaixo). “Enquanto as taxas de desemprego batem recordes, os grandes bancos contabilizam lucros. A situação caótica do país, do ponto de vista sanitário e econômico, não sensibilizou os banqueiros. Eles simplesmente não cumpriram o acordo firmado com o Comando Nacional de não demitir bancários e bancárias enquanto durasse a pandemia”, protesta o dirigente.

Banestes
O Banestes, na mesma onda de bonança dos grandes bancos, também registrou resultados positivos no terceiro trimestre de 2020: lucro líquido de R$ 45 milhões. No acumulado do ano, o banco registrou lucro líquido de R$ 170 milhões, o que representa um aumento de 1,4% no comparativo com o mesmo período de 2019.
“A exemplo dos grandes bancos, o Banestes também endureceu as negociações na campanha salarial deste ano. Não houve reconhecimento por parte da direção do banco do empenho dos bancários e das bancárias que mantiveram os ganhos do Banestes durante a pandemia. Graças a esse esforço, o Banestes conseguiu levar aos capixabas mais de R$ 440 milhões em linhas de crédito emergenciais. Números que ajudaram o Banestes a se manter na liderança estadual com mais de R$ 3,2 bilhões concedidos em créditos. Mas na lógica que prevalece nas cabeças dos dirigentes do Banestes não há espaço para valorizar o empregado, que é quem de fato faz o banco. A meta dos dirigentes e deixar o banco público a cada dia mais parecido com os privados, ou seja: o lucro sempre em primeiro lugar”.








