Lucro dos cinco maiores bancos do país passa de R$ 53 bi em nove meses

02/12/2020 13:40

Pandemia e crise econômica não impediram que os cinco maiores bancos registrassem lucro superior a R$ 53 bilhões nos nove primeiros meses de 2020. Mesmo com os ótimos resultados, bancos já demitram mais de 12 mil só este ano

Os cinco maiores bancos do país tiveram lucro de R$ 53,383 bilhões nos nove primeiros meses do ano. As crise sanitária e econômica não impediram que os bancos se colocassem entre as empresas que registraram os maiores lucros do país em 2020. O resultado poderia ser ainda maior se os bancos não aumentassem o provisionamento, prevendo o risco de créditos de liquidação duvidosa (as PDDs), o que não se confirmou até o momento. Na média dos cinco bancos, o crescimento das despesas com PDD foi de 44,7%.

“Mesmo com a taxa de inadimplência muito baixa e em queda, os bancos aumentaram absurdamente o volume das provisões para cobrir os possíveis calotes. Estes valores são subtraídos do montante de lucro e prejudicam os resultados dos bancos”, explicou a economista Vivian Machado do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“Com ou sem crise a escrita se repete: os bancos sempre lucram e muito. Mesmo aumentando provisionamento, os resultados põem Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil entre as 10 empresas brasileiras que aferiram os maiores lucros no terceiro trimestre deste ano”, diz o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire.

O dirigente lembra que os lucros astronômicos não facilitaram as negociações na campanha salarial deste ano. “Na mesa de negociação os bancos regatearam até o último momento. Endureceram as tratativas, alegando que não podiam conceder o reajuste salarial acima da inflação. No final das contas, os bancos impuseram perdas salariais à categoria com reajuste abaixo da inflação. Se lucrando as negociações tiveram esse desfecho, imagine o que seria negociar com os bancos se realmente o prejuízo fosse uma realidade para eles, diz Jonas.

Lucros dos bancos

A Caixa Econômica obteve um lucro de R$ 7,5 bilhões, com uma rentabilidade de 12,7%. No Itaú, o lucro foi de R$ 13,1 bilhões, com rentabilidade de 14%. No Bradesco, o lucro totalizou, aproximadamente, R$ 12,7 bilhões, com rentabilidade de 12,9%. O Banco do Brasil, por sua vez, obteve um lucro de R$ 10,2 bilhões no período, com rentabilidade de 10,3%; e, por fim, o Santander alcançou um lucro de R$ 9,9 bilhões, com uma rentabilidade que alcançou os 18,5%. Cabe destacar, no Santander, o crescimento do lucro do banco no 3º trimestre em relação ao trimestre anterior, de mais de 82%. Desconsiderando a provisão extraordinária por conta do cenário futuro previsto em função da pandemia, o lucro líquido chegaria a R$ 11.651 bilhões, representando uma alta de 7,6% em 12 meses.

Maquiagem do PDD

Estes cinco bancos divulgaram queda nos resultados na comparação com o terceiro trimestre de 2019, ano em que os bancos bateram todos os recordes de lucros. O resultado foi influenciado, principalmente, pelo crescimento médio de 44.7% do provisionamento para o risco de créditos de liquidação duvidosa (as PDDs).

“O crescimento das carteiras de crédito já apontava para um crescimento do provisionamento, mas, a perspectiva de deterioração no cenário econômico do país, com a paralisação abrupta de grande parte das atividades, ao final do 1º trimestre do ano, propiciou elevações mais significativas”, afirmou a economista do Dieese Vivian Machado.

Demissões

Os cinco bancos juntos fecharam mais de 12 mil postos de trabalho em 2020. Somente o Bradesco fechou 3.338 postos de trabalho nos últimos 12 meses. O Santander fechou, de abril a setembro, em plena pandemia, 2.045 postos.

Jonas destaca que o país atravessa um dos períodos mais críticos em relação ao desemprego. Ele lembra que são mais de 14 milhões de brasileiros desempregados, taxa recorde desde 2012, quando o IBGE passou a fazer o levantamento veja gráfico abaixo). “Enquanto as taxas de desemprego batem recordes, os grandes bancos contabilizam lucros. A situação caótica do país, do ponto de vista sanitário e econômico, não sensibilizou os banqueiros. Eles simplesmente não cumpriram o acordo firmado com o Comando Nacional de não demitir bancários e bancárias enquanto durasse a pandemia”, protesta o dirigente.

Banestes

O Banestes, na mesma onda de bonança dos grandes bancos, também registrou resultados positivos no terceiro trimestre de 2020: lucro líquido de R$ 45 milhões. No acumulado do ano, o banco registrou lucro líquido de R$ 170 milhões, o que representa um aumento de 1,4% no comparativo com o mesmo período de 2019.

“A exemplo dos grandes bancos, o Banestes também endureceu as negociações na campanha salarial deste ano. Não houve reconhecimento por parte da direção do banco do empenho dos bancários e das bancárias que mantiveram os ganhos do Banestes durante a pandemia. Graças a esse esforço, o Banestes conseguiu levar aos capixabas mais de R$ 440 milhões em linhas de crédito emergenciais. Números que ajudaram o Banestes a se manter na liderança estadual com mais de R$ 3,2 bilhões concedidos em créditos. Mas na lógica que prevalece nas cabeças dos dirigentes do Banestes não há espaço para valorizar o empregado, que é quem de fato faz o banco. A meta dos dirigentes e deixar o banco público a cada dia mais parecido com os privados, ou seja: o lucro sempre em primeiro lugar”.