
Sessão para votação do parecer do relator sobre a Reforma da Previdência. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom, EBC.
Após acertar com o governo Bolsonaro um bilionário toma-dá-cá de emendas por voto, Centrão, PSDB, DEM, MDB e outros partidos cederam à pressão do mercado financeiro e atropelam o incipiente debate para votar a reforma da previdência antes do recesso de julho. Com o jabaculê liberado por Bolsonaro, Rodrigo Maia acredita ter os votos necessários, por isso o atropelo em votar um texto totalmente desconhecido da sociedade.
O relator Samuel Moreira (PSDB/SP) manteve as principais atrocidades contra o povo contidas na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 06. Se aprovado, o texto vai excluir, retardar e impedir o acesso à aposentadoria de milhões de pessoas, além de reduzir o valor dos benefícios, com impactos graves não apenas na vida e na renda das famílias, mas também na economia dos pequenos municípios e no comércio local de bairros e periferias dos grandes centros.
Pelo alcance que a seguridade social tem no Brasil, os impactos da deforma serão devastadores, em particular para a população mais pobre que tem na previdência e assistência social a principal fonte de renda num período da vida – após os cinquenta e tantos anos – em que o desemprego e a informalidade batem ainda mais forte.
Nessa idade é muito difícil para a maioria manter ou se reinserir no mercado de trabalho e ter contribuição regular pra previdência. Poucos vão chegar aos 65/62 anos trabalhando e contribuindo, num país em que boa parte das pessoas começou a trabalhar aos 13, 14 anos. Temos por outro lado, uma jornada de trabalho semanal (44h) das mais elevadas do mundo, além das muitas horas de desgaste no deslocamento pro trabalho e muitos são submetidos a péssimas condições de trabalho. Cabe lembrar que o Brasil ocupa o 4° lugar no ranking mundial de adoecimentos e acidentes no trabalho.






