Pesquisa encomendada pela Fenae aponta que 53,6% dos empregados da Caixa Econômica afirmaram ter sofrido ao menos um episódio de assédio moral; 20% dos empregados ativos revelaram ter depressão ou ansiedade. Entre os aposentados o índice é de 4%. A consequência desse adoecimento mental é que cerca de 20% dos funcionários recorrem a acompanhamento regular psicológico ou psiquiátrico.
Apesar do grave quadro revelado pela pesquisa, a Caixa segue na contramão das políticas públicas de saúde mental. Segundo a psicóloga, Ana Magnólia Mendes, que está coordenando o projeto da Fenae contra o adoecimento mental, o bancário se sente sozinho e desamparado. Segundo ela, os dados têm apontado sentimentos de tensão, incapacidade de relaxar, irritabilidade, inquietação, vontade de desistir de tudo, sentimento de que não vale a pena viver, entre outros.
Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, os casos de assédio vêm crescendo à medida que o banco aumenta a pressão por resultados sobre os empregados. “Neste momento, em especial, o banco está impondo um processo agressivo de reestruturação. Esse tipo de mudança de cima para baixo afeta a vida dos bancários e de seus familiares. A reestruturação certamente já deve estar provocando diversos casos de assédio”, acredita Lizandre.
De acordo com a Fenae, esse modelo de gestão imposto pela Caixa incentiva o assédio moral e negligência o problema tentando descaracterizar a relação do adoecimento com o trabalho. Denúncias de agressões verbais, ameaças de demissão, desvio de função, constrangimento público e metas abusivas são, infelizmente, velhas conhecidas dos trabalhadores do banco.
A diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus, lembrou que doenças psiquiátricas são terceira causa de afastamento do trabalho no país. Segundo ela, é importante que se crie políticas de saúde preventivas e não reativas quando a situação já estiver fora de controle.
Não Sofra Sozinho
A Fenae lançou no ano passado a campanha “Não Sofra Sozinho”, projeto de prevenção ao adoecimento mental no trabalho com coordenação da pós-doutora, psicóloga e professora da UnB, Ana Magnólia Mendes.
O estudo, que já começou a ser executado, vai debater o impacto da reestruturação da Caixa em suas diversas formas para a saúde mental dos trabalhadores bancários da Caixa, discutir estratégias para implantar um serviço de assistência ao bancário em sofrimento e realizar pesquisa qualitativa com os bancários da Caixa.
Além disso, a campanha subsidia os dirigentes da Fenae e Apcefs para proposição de políticas e práticas sindicais e institucionais eficientes de prevenção das psicopatologias do trabalho.
A campanha de conscientização da Fenae é permanente. Se você sofrer ou presenciar alguma atitude abusiva por parte dos gestores com você ou algum colega, denuncie à Apcef e ao sindicato! Não Sofra Sozinho!








