Mais de 400 entidades entram com pedido coletivo de impeachment contra Bolsonaro

21/05/2020 18:48

O documento, que é assinado por partidos políticos, centrais sindicais e organizações sociais, acusa o presidente de crime de responsabilidade por apoiar manifestações antidemocráticas, defender o fim do isolamento social e interferir na PF

Carca de 400 organizações da sociedade civil ingressaram na Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira, 21, com um pedido coletivo de impeachment acusando Bolsonaro de crime de responsabilidade por apoiar manifestações antidemocráticas contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). As manifestações pediram a volta da ditadura militar (1964-1985) e reedição do AI-5, medida que marcou o período mais repressor do chamado anos de chumbo. O documento também aponta que o presidente feriu o princípio da impessoalidade por interferir na PF para blindar supostamente seus filhos e amigos de investigações, caso que está sendo investigado pela Procuradoria Geral da República (PGR). Bolsonaro ainda é responsabilizado por defender o fim do isolamento social, contrariando as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde.

Veja o pedido de impeachment na íntegra

O documento protocolado na Câmara nesta quinta-feira é o 35º pedido de impeachment contra Bolsonaro, o que lhe confere o título de recordista absoluto em 17 meses de governo. “Das quase três dúzias de pedidos de impedimento que se acumulam na gaveta do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, esse é o mais expressivo em termos de representatividade. Quando 400 entidades que representam a sociedade civil em diversos segmentos em todo o país entendem que o presidente precisa ser impedido, isso tem um peso considerável”, destaca o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire.

Entre as entidades que assinam o documento estão organizações sociais, centrais sindicais, juristas, intelectuais, artistas e sete partidos políticos do campo da esquerda: Psol, PCB, PCdoB, PT, PSTU, PCO e UP.

Jonas afirma que o governo Bolsonaro, desde que assumiu a Presidência da República, se especializou em atacar a classe trabalhadora, com a reforma da Previdência e edições de medidas provisórias em escala. “Todas com as mesmas características: favorecem o empregador e retiram os poucos direitos que ainda restam à classe trabalhadora. Mesmo com o país enfrentando a pior crise de saúde pública dos últimos 100 anos, Bolsonaro se vale de MPs, justamente no momento mais vulnerável do trabalhador, para retirar mais direitos”.

O dirigente sindical acrescenta ainda que o presidente ultrapassou todos os limites ao se posicionar contra a OMS e a comunidade científica, desdenhando da pandemia e incitando a população a quebrar o isolamento social. “Aliás, esse é um dos crimes apontados no documento. Infelizmente, estamos caminhando para a marca assustadora de 20 mil mortos e 300 mil casos de covid no país. Não podemos continuar sendo comandados por um presidente irresponsável, insensível, que não se importa em rifar vidas para salvar a economia. Bolsonaro precisa ser impedido imediatamente”, sublinha o coordenador-geral do Sindibancários/ES, que completa: “Vamos ver se um pedido de impeachment com essa representatividade e fundamentação sensibiliza o presidente da Câmara”.
(Foto capa: CUT)