Agência Vila Velha – Foto: Sérgio Cardoso

Se não tem bancário, não tem mais nada! Com esse mote, bancários e bancárias do Bradesco realizam nesta terça-feira, 12, mobilização nacional contra as demissões e o fechamento de agências, iniciativas do banco que causam forte impacto negativo no emprego e na qualidade de atendimento aos clientes e usuários. No Espírito Santo, a manifestação foi na agência Bradesco Vila Velha.

Os números mostram bem a situação no Bradesco: nos últimos cinco anos, o banco fechou mais de 25 mil postos de trabalho e 1800 agências em todo o Brasil, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Dados preliminares de janeiro a junho de 2025 apontam mais de 2400 demissões no primeiro semestre.

No Espírito Santo, aconteceram cerca de quarenta demissões em 2025. O fechamento de unidades capixabas também é significativo: cerca de vinte nos últimos quatro anos. Dentre essas estão as agências Jacaraípe, Laranjeiras, Jardim Camburi, Goiabeiras, Praia do Canto, Jucutuquara, Jardim América, João Neiva, Itaparica, Glória, São Silvano (em Colatina), Santa Maria de Jetibá, Iconha e Montanha.

Adoecimento

Essa situação vem causando apreensão entre os empregados do Bradesco. O medo do desemprego é cotidiano. Além disso, bancários e bancárias que permanecem no banco vivem sob a pressão das metas de vendas de produtos, sobrecarregados de trabalho.
“Hoje, a maioria dos demitidos no Estado são empregados adoecidos em função do trabalho. Esse é um sinal de que quem está no banco está adoecendo”, afirma o diretor do Sindicato e bancário do Bradesco Fabrício Coelho.

Clientes

A política do Bradesco para continuar multiplicando seus lucros é empurrar clientes para os canais eletrônicos e para o Bradesco Expresso, que é o atendimento do banco no comércio, como nas Casas Bahia, numa iniciativa de terceirização sem precedentes no banco. “Se até os anos 2000 o Bradesco dizia que era ‘o banco de portas abertas’, hoje ele quer se livrar dos pequenos negócios, do varejo dentro das agências”, reflete o diretor do Sindicato.
Hoje, são aproximadamente trezentos pontos comerciais que oferecem serviços do Bradesco no Espírito Santo, como pagamento de contas, venda de capitalização e outros produtos. O trabalho antes feito por bancários está sendo realizado por máquinas e trabalhadores precarizados, mal remunerados e que não têm os direitos e garantias previstos na Convenção Coletiva dos Bancários.

Mobilização

Fabrício Coelho explica que a mobilização nacional é para juntar bancários e bancárias numa luta por proteção ao emprego, saúde e atendimento de qualidade aos clientes e usuários do Bradesco.