Em manifestação nesta quinta-feira, 1º de agosto, no Palas Center, os bancários do Banestes protestaram contra a condução, por parte da direção do banco, do processo de retorno ao trabalho dos funcionários em home office. Os bancários vestiram roupas na cor preta e foram recebidos pelo Sindicato com um café da manhã no hall de entrada do prédio da Direção Geral. A categoria pede que a direção do Banestes tenha mais respeito com seus funcionários.
De forma autoritária, sem nenhuma negociação com o Sindicato e preparação das instalações do banco para receber os trabalhadores, a direção do Banestes determinou o retorno dos empregados em home office a partir desta quinta-feira. O Sindicato, em mesa de negociação, tentou argumentar que era necessário um cronograma garantindo tempo para os funcionários se readequarem ao trabalho presencial, além de estrutura física adequada de trabalho, mas o banco negou tudo.
“O Banestes trata seus funcionários como mobiliário e acha que pode manejá-los como quiser. Foi o próprio banco que colocou os bancários em home office sem nenhum debate com o Sindicato, sem nenhuma regulamentação. O home office foi importante na pandemia para salvar vidas, sabíamos que não seria para sempre, mas a forma como está sendo feito [o retorno] é absurda, sem tempo de preparação”, denunciou a coordenadora-geral do Sindicato, Rita Lima.
A decisão do banco, afirmou ela, faz parte de uma política de gestão que coloca funcionários das agências contra os da área administrativa numa tentativa de dividir os trabalhadores. “O Banestes usa argumento falso de que o home office não funciona para esconder o real problema das agências que é a não contratação de mais funcionários para dar conta do trabalho crescente”.
A diretora do Sindibancários/ES e funcionária do Banestes Vanessa Espindola também criticou a posição do Banestes. “O que está acontecendo com os funcionários do home office é o mesmo que está acontecendo na mesa de negociações da Campanha Salarial. O Banestes não nos dá ouvidos, ignora as reivindicações dos funcionários, nega o adoecimento da categoria. Entregamos de seis a oito horas, no mínimo, a esse banco por dia, precisamos ser respeitadas e respeitados. Quem está no home office trabalha sim! É injusto dizer que tem que voltar porque não estão atendendo aos chamados das agências. Isso é para colocar os trabalhadores uns contra os outros”, alertou ela, convocando todos os empregados a se unirem pelos direitos coletivos e lembrando que é o trabalho dos bancários – seja presencial ou em home office – que resulta nos excelentes lucros do banco.
Indignação
Os bancários atingidos pela medida do banco receberam com indignação o e-mail de convocação para o retorno ao trabalho presencial – os entrevistados abaixo não serão identificados para evitar represálias por parte da direção do banco.
“Fiquei bem nervosa, ninguém tinha avisado nada. De repente chega a mensagem já com a data de apresentação no setor. Nesses quatro anos de home office trabalhei normalmente, todos os dias. Meu trabalho pode ser feito a distância, pelo chat e outros canais. Venho ao banco para reuniões algumas vezes por mês, mas a maioria também é on-line”, afirma uma bancária.
“Foi uma surpresa, recebi com indignação. Hoje as empresas falam tanto em saúde física e mental e o Banestes age assim de uma hora pra outra. O home office traz mais qualidade de vida, é o conforto de você estar fazendo seu trabalho de casa, dando o mesmo resultado para o banco. É certo que as ocorrências de atestados diminuíram com o home office”, aposta outra funcionária.
“Sempre cumpri com as demandas de trabalho. O home office não traz nenhum prejuízo ao banco. No meu caso, o tempo de deslocamento até o Banestes, ida e volta, eu aproveitava para cuidar da saúde. Não vi sentido na mudança. O banco poderia evoluir nas formas de medir desempenho, não acabar com o home office para quem faz bom uso”, disse um bancário.

