Em mais uma manifestação para exigir a reabertura das negociações com a direção do Banestes sobre o Plano de Cargos e Salários (PCS), diretores e diretoras do Sindicato concentraram-se na portaria do Palas Center na manhã desta quinta-feira, 27. Funcionários do banco também participaram, dando o tom da reivindicação de décadas.
Ao contrário do que diz a direção do Banestes internamente, não é o Sindicato que está travando a implantação do PCS, mas sim o banco sob a gestão de Amarildo Casagrande. Desde janeiro, quando foi apresentada a proposta de plano, o Sindicato vem tentando negociá-la (veja ao final da matéria), mas o banco não está disposto a dialogar.
“O PCS é uma luta histórica de banestianos e banestianas, mas entra presidente e sai presidente no banco, nenhum deles foi capaz de colocar para nós uma proposta de plano decente. Estamos aqui hoje pedindo ao Banestes que volte para a mesa de negociações, pois temos 17 pontos identificados pela nossa assessoria técnica-jurídica que precisam ser revistos”, afirmou a diretora do Sindicato Vanessa Espíndola.
O dirigente Marcelo Giacomin lembrou que, desde maio, o Sindicato vem aguardando posição do banco em relação aos 17 pontos críticos do PCS. “Demoraram 140 dias para nos atender. Tivemos que apelar para articulação da deputada Camila Valadão para o Banestes nos receber. Está sendo uma negociação muito difícil. Precisamos ter mais boa vontade por parte do banco para, de fato, negociar”, destacou Giacomin.
“Tenho 41 anos de banco e sempre ouvi falar de plano de cargos e salários que nunca foi implantado”, contou Paulo Soares, também diretor do Sindicato e funcionário do Banestes. Ele acrescentou: “Sem ter perspectiva de carreira não há dignidade no trabalho. Amarildo Casagrande tem que vir para a mesa negociar. E, para isso, é preciso que os funcionários se mobilizem também dentro do banco, conversem com parlamentares visando aumentar a pressão sobre a direção do banco. Esse PCS atrelado a metas não serve pra ninguém”.
PCS da Caixa
O diretor do Sindicato e empregado da Caixa André Tosta defendeu que a implantação de um PCS digno é o mínimo que uma instituição como o Banestes – com o peso, tamanho e faturamento que tem – deve aos funcionários.
“Eu, na Caixa, já passei por dois planos de cargos e salários. Mas a Caixa em momento algum me obrigou a abrir mão de direitos e benefícios na migração de um plano para outro; não rifou minha estabilidade funcional tão importante para manter o banco funcionando independentemente do grupo político que está no poder. Em momento algum a Caixa veio com critérios de ascensão profissional que não estivessem sob a minha gestão pessoal. No nosso PCS estão estabelecidos os cursos que eu tenho que fazer, as entregas que eu tenho que cumprir e outros critérios para ascender na carreira. Não há nada vinculando à produtividade do banco, que é uma variável que não está sob poder dos empregados. O PCS do Banestes é uma armadilha para os empregados e para o próprio banco, pois esses 17 pontos que apontamos como críticos trazem instabilidade jurídica e vão onerar a instituição com demandas judiciais”.
O ato contou a presença e o apoio do representante da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora Renan Almeida: “A Intersindical estará sempre junto com o Sindicato para fazer essa luta por um Banestes público, voltado para os capixabas e em defesa dos seus trabalhadores”.
CRONOLOGIA DA ENROLAÇÃO
● Julho/24 – Sindicato cobra PCS na 2ª rodada de negociação da campanha salarial. Direção do Banestes diz que PCS está em estudo. Sindicato insiste que plano seja incluído no ACT.
● Setembro/24 – Pressionado para fechar o ACT, Amarildo promete o PCS para janeiro.
● Janeiro/25 – Banestes apresenta a minuta do plano, mas veta a participação do Sindicato no GT que elabora o PCS.
● Março/25 – Sem interlocução com o Banestes, Sindicato busca assessoria técni co-jurídica para analisar o plano.
● Abril/25 – Assessoria aponta 17 pontos críticos do PCS que representam riscos para os empregados.
● Maio/25 – Sindicato apresenta pontos controversos ao Banestes e pede abertura imediata de negociação do PCS.
● Junho/25 – Com Amarildo fechado ao diálogo, Sindicato busca interlocução com o governo do Estado para destravar negociação.
● Agosto/25 – Sindicato protesta no Palas Center contra a intransigência de Amarildo.
● Setembro/25 – Pressionado pelo governo, Amarildo aceita conversar com a deputada Camila Valadão (PSOL), mas veta a presença do Sindicato. Na reunião, ele nega que o Sindicato tenha pedido uma agenda de negociação. Alegação falsa facilmente derrubada pelo documento protocolado em maio de 2025.
● Outubro/25 – Banestes finalmente aceita ouvir as críticas do Sindicato ao PCS. A coordenadora do GT, Juliana Costa Souza, se compromete a levar ao Conselho do banco o pedido do Sindicato de adiamento do PCS até que os pontos críticos sejam discutidos. Juliana diz não ter prazo de retorno da demanda.
● 27 de novembro/25 – O Sindicato ainda não recebeu resposta do Banestes sobre as negociações dos pontos críticos e segue pleiteando a abertura do diálogo.
Fotos: Sérgio Cardoso

