É inevitável não associar o anúncio da atual diretoria executiva da Cassi de redução da coparticipação do plano de saúde para os percentuais praticados em 2018 ao processo eleitoral que elegerá a nova diretoria e o conselho fiscal da entidade. Nos últimos dois anos, os funcionários e as funcionárias do BB, o movimento sindical, as entidades e alguns conselhos de usuários vêm cobrando insistentemente da Cassi a redução da coparticipação, já que o aumento dos percentuais deveria cessar em 2020.
“Ora, não podemos considerar o anúncio como obra do acaso. Estamos a um mês das eleições e, do nada, uma demanda antiga é atendida como num passe de mágica. Seria muita ingenuidade achar que não há uma estratégia político-eleitoral por trás do anúncio”, provoca a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone.
A campanha para a disputa às Eleições Cassi 2022, que ocorre de 18 a 28 de março, começou oficialmente no último dia 11. Na mesma semana em que as quatro chapas que concorrem ao pleito deste ano estavam sendo formalizadas, a diretora executiva da Cassi aprovou a redução da coparticipação.
Goretti afirma que uma instituição da importância da Cassi, que é responsável por zelar pela saúde de milhares de funcionários e funcionárias e de seus familiares, não pode misturar as estações e usar a máquina da entidade para fins eleitoreiro. “Vamos definir a sucessão da Cassi por meio de eleição direta. Este é um processo que deve primar pela transparência e ética, como exigem as boas práticas da democracia”, assinala a dirigente.
Antes de entrar em vigência, a redução da coparticipação precisa da aprovação do Conselho Deliberativo (CD). A entidade irá se reunir no dia 25 de fevereiro para avaliar a mudança.
Coparticipação
O reajuste da coparticipação, que é alvo de polêmica no processo eleitoral deste ano, teve início em 2018 – à ocasião da aprovação dos novos percentuais pelo Conselho Deliberativo Antes do reajuste, coparticipação vigente era de 30% em participação em consultas e 10% em exames e terapias, limitada à participação mensal a 1/24 do salário de contribuição.
A promessa da atual diretoria da Cassi, no entanto, era de que a coparticipação reajustada deveria durar até que as contas da instituição voltassem ao azul. A Cassi registrou resultados positivos nos anos de 2019, 2020 e 2021.
Goretti chama a atenção para o fato de a direção da Cassi não ter cumprido a promessa de reduzir os percentuais mesmo após a entidade ter saído do vermelho. Em 2020, recorda Goretti, em razão da intransigência da Cassi em rever o reajuste, houve grande pressão. Segundo ela, os sindicatos, os conselhos de usuários e as entidades enviaram ofícios à Cassi e organizaram um abaixo-assinado nacional com mais 5 mil adesões, cobrando a reversão dos percentuais. “À época, foi pedida também a devolução retroativa dos valores pagos de coparticipação nos últimos dois anos”, afirma.
O movimento sindical tem ainda feito reivindicações quanto ao Programa de Assistência Farmacêutica (PAF), que teve sua lista de medicamentos abonáveis reduzida em 1.818 produtos. Outra preocupação dos trabalhadores é o desmonte da rede credenciada, diminuída em cerca de 5.400 prestadores de serviços desde 2016.









