Qualquer discussão sobre condições de trabalho impreterivelmente esbarra nas metas. Não por acaso, os dirigentes sindicais que participaram nessa quinta-feira, 17, da reunião do Fórum de Condições de Trabalho da Caixa, puseram essa questão no centro da discussão com os representantes da Gestão de Pessoas (Gipes).

A pauta do movimento sindical propôs aperfeiçoar os protocolos de saúde e segurança na Caixa contra a covid-19, menos metas, oferecer melhores condições de trabalho aos empregados e proteger a vida de toda a população. Os trabalhadores também cobraram uma mesa específica para debater o Saúde Caixa.

A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) Fabiana Uehara Proscholdt, se referindo às medidas de saúde e segurança na Caixa contra a covid, disse que algumas lacunas do protocolo da Caixa acabam dificultando o entendimento dos gestores. “Por mais que estejam escritos, não temos protocolos claros executados na Caixa. A informação não está chegando às agências e, mesmo quando chega, não está sendo cumprida. Isso é o mínimo que deveria ser feito”.

O diretor da Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato dos Bancários/ES Ronan Teixeira concorda com as críticas da coordenadora do CEE-Caixa. Segundo ele, a redação do protocolo deixa a desejar. Se o protocolo é mal redigido, a sua execução também fica comprometida. São pontas soltas que dificultam o cumprimento das medidas sanitárias por gestores e empregados. É esse desencontro entre protocolo e prática que estamos testemunhando no dia a dia das unidades da Caixa”, diz Ronan.

Metas desumanas

Para Ronan, enquanto a Caixa continuar impondo metas desumanas, será praticamente impossível melhorar as condições de trabalho. “São questões inconciliáveis: ou a Caixa revê a cobrança dessas metas ou será muito difícil seguir à risca os protocolos contra a covid. O dirigente explica que o empregado se sente pressionado a cumprir as metas, mesmo sabendo que elas são, muitas vezes, intangíveis. “Na hora H, o empregado vai tentar cumprir as metas. Isso significa que, em muitos casos, vai acabar abrindo mão dos protocolos sanitários. Ou o empregado cumpre metas ou segue os protocolos sanitários”, afirma o dirigente.

Na reunião com a Gipes, os dirigentes sindicais advertiram que as metas deixam os empregados sobrecarregados e adoecidos. Sobre essa contradição entre metas e protocolos, Fabiana afirmou: “O que ouvimos é que os empregados estão em segundo lugar e em primeiro estão em metas”.

O problema com o cumprimento dos protocolos da Caixa foi pauta na reunião do Comando Nacional dos Bancários com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A falha foi apontada pela ampla maioria dos presidentes de sindicatos.

Máscaras PFF2

A pandemia, que já matou mais de 642 mil pessoas no Brasil, rompeu 2022 com uma nova onda de casos e óbitos provocada pela variante ômicron. “Estamos no ano três da pandemia e a Caixa anuncia somente agora que finalmente fornecerá máscara PFF2 para os empregados”, critica Ronan, comentando um dos pontos tratados na reunião, que é o fornecimento de máscaras mais eficazes na filtragem do vírus.

Segundo a Gipes, a ação está em fase de compra e deve beneficiar todos os empregados da Caixa.

Higienização das unidades

Os representantes dos empregados pediram à Caixa mais clareza e efetividade no processo de higienização das unidades. Ronan afirma que essa é uma questão bastante séria. “A higienização tem de ser efetiva, rigorosa e célere. A Caixa precisa dar publicidade a esse protocolo. É necessário informar a todo o corpo de empregados que houve um caso de covid confirmado no dia tal e que a unidade passou pelo processo de higienização. Não dar a devida publicidade a esse processo contraria o próprio protocolo da Caixa”, pontua o dirigente.

Ronan também chamou a atenção para a suspensão das visitas externas. Segundo ele, esse é outro ponto de pauta bastante importante porque tende a ser “atropelado” em razão das metas.

O dirigente ainda destaca mais um ponto da pauta que está diretamente relacionado à saúde do trabalhador e da trabalhadora. Ronan diz que é urgente avaliar a questão dos credenciamentos e descredenciamento dos médicos no Saúde Caixa. “É preciso entender quais os critérios que estão sendo considerados pela gestão do plano para fazer essas mudanças relacionadas ao credenciamento e descredenciamento, que implica, como sabemos, em perda de qualidade. É importante reforçar sempre aos usuários do plano que os problemas não são do Saúde Caixa e sim dos gestores que o administram. Não podemos perder o foco. Nossa crítica deve ser direcionada à gestão, e não ao plano”, ressalta.

Os dirigentes do movimento sindical solicitaram que a Caixa viabilize as respostas para a próxima reunião do Fórum, que foi agendada para a próxima quinta-feira, 24, das 14h30 às 16h.

Confira outras reivindicações feitas no Fórum Condições de Trabalho:

  • Prorrogação das certificações CPA 10 e CPA 20. Por conta da pandemia, muitos empregados estão com problemas em remarcar a prova na Ambima. Segundo a Caixa, a área responsável já está em tratativas com a Associação;
  • Clareza e efetividade quanto às higienizações das unidades;
  • Suspensão das metas do Conquiste ou metas mais razoáveis;
  • Fechamento de unidade quando na impossibilidade de atendimento e/ou possibilidade da Caixa fazer uma comunicação para informar a população que a agência está em contingenciamento com atendimento apenas de serviços essenciais;
  • Redução do horário de atendimento das agências à população. A mudança possibilitaria ao empregado focar em outras atribuições;
  • Considerando o piloto do atendimento do interaxa nas agências digitais referente à região norte, importante acompanhamento para não sobrecarregar mais estes empregados;
  • Avaliar a questão dos credenciamentos e descredenciamento dos médicos no Saúde Caixa;
  • Suspensão das visitas externas durante a pandemia.