A Comissão de Gênero, Raça, Orientação Sexual e Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência (CGROS) da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) voltou a se reunir com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na segunda-feira (28) para a Mesa Temática de Igualdade de Oportunidades. O encontro retomou a pauta relativa às demandas de gênero, focadas na saúde da mulher bancária.
Retomada no mês em que a luta feminista tem protagonismo, a reunião destacou pontos firmados no acordo de 2020, que versa sobre prevenção e combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. Os representantes da categoria enfatizaram a importância de dar mais visibilidade a todas as ações que compõem o acordo, em especial às de prevenção.
Na reunião, a Comissão de Diversidade da Fenaban mostrou dados sobre a ação das instituições bancárias acerca de trabalhadoras que sofreram violência doméstica. O acolhimento dos casos de violência contra a mulher passou a acontecer a partir do acordo.
Nos últimos dois anos, foram feitas 11 denúncias de violência doméstica ou familiar por mês, em média. No período, 273 mulheres foram atendidas pelo canal e tiveram encaminhamento para solução. Nos casos mais graves, 11 delas tiveram que ser transferidas de localidade para conseguirem viver em condição de segurança.
As diretoras presentes entenderam, entretanto, que as mulheres ainda encontram dificuldades para identificar o acolhimento em suas instituições bancários. As representantes da CGROS ressaltaram a importância de se ter um canal específico para as vítimas de violência doméstica, para que não se percam no caminho nem se desestimulem de pedir ajuda.
Para Mônica Pais, dirigente do Sindibancários/ES e integrante da CGROS, “a negociação revelou a fragilidade vivida por bancárias de todo Brasil num momento em que o trabalho remoto foi preponderante. Os dados mostram a necessidade de garantir que os canais de denúncia sejam de fácil acesso e seguros”, explica.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentou um diagnóstico das condições do mercado de trabalho para as mulheres desde o início da crise sanitária. Do terceiro trimestre de 2019 ao mesmo período de 2021, por exemplo, 1,1 milhão de mulheres haviam perdido o trabalho, seu rendimento médio mensal sofreu queda de 2,9% e as denúncias de assédio moral subiram 187%, entre outros pontos preocupantes. Em praticamente todos os indicadores, as mulheres negras foram mais afetadas.
Foi solicitado à Fenaban levantamento a respeito do canal de cada banco, inclusive para que instituições sindicais ajudem na divulgação do serviço.
Mesa de Igualdade de Oportunidades voltará a ter periodicidade bimestral
A categoria bancária foi a primeira a conquistar cláusulas em acordo coletivo sobre igualdade de oportunidades e é a única a manter uma mesa permanente de negociações com representantes patronais a respeito de questões de gênero, raça e orientação sexual.
A pandemia de Covid-19 interrompeu a periodicidade bimestral da Mesa Temática. No encontro da última segunda as representantes do CGROS propuseram o retorno da agenda anterior. A sugestão foi aprovada e novas datas estão sendo programadas.
Com informações da Contraf/Cut.









