Mesmo com empregados esgotados, Caixa insiste em abrir aos sábados

17/09/2020 21:07

Embora a demanda aos sábados não justifique a abertura, a Caixa se mostra insensível ao esgotamento físico e mental dos empregados, que estão há mais de 150 dias encarando a covid para pagar o auxílio emergencial e outros benefícios sociais

(Atualizada em 18/09/2020, às 18h00) Diferentemente do seu lado “sentimental” que costuma aflorar na frente das câmeras, se referindo aos empregados como “família Caixa”, a gestão do presidente Pedro Guimarães está mostrando mais uma vez que na verdade não se importa com o bem-estar dos funcionários da Caixa Econômica Federal. O banco insiste em abrir as agências aos sábados, embora a demanda não justifique mais a abertura extraordinária. A diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, lembra que os bancários e as bancárias da Caixa estão trabalhando desde o dia 17 de abril, quando o banco iniciou o pagamento do auxílio emergencial, nesse ritmo alucinante.

“Há mais de cinco meses os empregados estão trabalhando sob um alto estresse físico e mental. Estão todos no limite, exauridos. Há o fator psicológico de estar todos os dias, inclusive aos sábados, encarando o vírus na linha de frente. O empregado chega em casa exausto pensando se venceu ileso a mais um dia de trabalho ou se foi contaminado e passará apresentar os sintomas da covid nos próximos dias”, diz Lizandre.

A dirigente afirma que a além de todo o desgaste físico e mental, trabalhar aos sábados nem sempre significa recompensa para o bolso do trabalhador. Ela diz que muitos empregados que não registram o ponto eletrônico, como costuma ser o caso dos gerentes gerais, acabam sendo penalizados. “No final das contas ficam sem o dinheiro das horas extras e sem o descanso”.

Para Lizandre, há uma intenção do governo Bolsonaro em manter as agências da Caixa funcionando aos sábados. “Faz parte dessa estratégia de transmitir à população que tudo já voltou ao normal e não há mais motivo para fazer o isolamento social. Quem paga o pato é o empregado da Caixa, que é obrigado a fazer parte desse plano macabro de um governo que se mantém indiferente às mais de 134 mil pessoas que já perderam suas vidas para a covid”, critica.

A dirigente recorda que o pleito pedindo o fim da abertura aos sábados foi levado para a mesa de negociações com a Caixa durante a Campanha Salarial deste ano. Na mesa, o banco prometeu estudar a reivindicação com o governo para encerrar o trabalho aos sábados, mas ficou apenas na promessa. As entidades sindicais, acrescenta Lizandre, percebendo que a Caixa não estaria disposta a fechar as agências aos sábados, levou a demanda à Justiça do Trabalho. “O problema é que a Justiça tem sido refratária ao pleito dos trabalhadores e conivente ao governo”, lamenta.

No último sábado, 12, segundo a Fenae, 770 agências abriram em todo país, das 8h às 12h. O atendimento foi feito para os beneficiários do auxílio emergencial e do saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Mais uma vez ficou provado que a demanda poderia ter sido atendida ao longo da semana, poupando os empregados de trabalharem aos sábados. Apesar da baixa procura, a Caixa já confirmou que as agências voltam a abrir neste sábado, 19, em todo o país, confirmando que o banco continua indiferente à saúde dos seus empregados.