Com R$ 3,7 bilhões apurados no segundo trimestre, o Santander fechou os seis primeiros meses do ano com lucro de R$ 7,5 bilhões. O resultado representa uma alta de 21% em comparação com o mesmo período de 2024. Apesar do lucro retumbante, o banco espanhol segue fechando postos de trabalho e agências. Nos últimos 12 meses foram demitidos 1.173 empregados e fechados 561 pontos de atendimento.
“Não é por acaso que o Santander faz jus ao título de exterminador”, afirmou o secretário-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Claudio Merçon (Cacau), referindo-se à campanha internacional lançada em junho último contra as demissões e terceirizações do banco no Brasil e em outros países da América Latina. “O Santander é o verdadeiro exterminador dos empregos e do futuro desses trabalhadores e de suas famílias. O sentimento é de profunda indignação. Não há justificativa plausível para o banco seguir demitindo seus empregados. O Santander mantém uma política draconiana que põe o lucro na frente de tudo, inclusive das pessoas”, criticou Cacau.
O dirigente, que também integra a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, destacou que o Sindicato seguirá mobilizado contra as demissões e terceirizações impostas pelo banco. “Vamos continuar nossa luta em defesa do emprego bancário, contra as terceirizações e as práticas antissindicais do Santander”, reiterou Cacau. “É exclusivamente por meio da luta que poderemos reverter essa situação”, completou.
Outros dados do lucro do Santander
Presente em mais de 40 países, o Santander registrou lucro global de € 6,833 bilhões (cerca de R$ 43 bilhões) no período, alta de 13% em doze meses. A operação brasileira foi a segunda mais lucrativa do grupo, com € 996 milhões, atrás apenas da matriz na Espanha (€ 2,258 bilhões), representando 14,6% do lucro global.
A Carteira de Crédito Ampliada cresceu 1,5% em 12 meses, chegando a cerca de R$ 675,5 bilhões. Em relação ao trimestre anterior, porém, houve retração de 1,0%. A carteira pessoa física ficou praticamente estável, com destaque para o crescimento no cartão de crédito (+13,1%) e queda no crédito consignado (-10,2%). Já a carteira pessoa jurídica teve queda de 5,0% no ano, com retração de 13,0% no crédito para grandes empresas e alta de 11,2% para pequenas e médias empresas.
A inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,1% em junho de 2025, praticamente estável em relação a junho de 2024. As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) aumentaram apenas 0,7%, somando R$ 13,3 bilhões.As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 10,9 bilhões no semestre, permanecendo estáveis. Já as despesas de pessoal, incluindo PLR, aumentaram 4,0%, alcançando cerca de R$ 6,3 bilhões. Com isso, o índice de cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias ficou em 174,4% no fim do semestre.

