A pandemia do novo coronavírus não afetou os resultados do Banestes. Ao contrário, o banco público e estadual apurou lucro de R$ 125 milhões no 1º semestre deste ano. O resultado é 14,4% superior aos R$ 109 milhões registrados no mesmo período de 2019 – ano em que a instituição registrou lucro recorde de R$ 214 milhões. No anúncio desta terça-feira, 11, o Banestes informou que repassou quase R$ 25 milhões ao Estado do Espírito Santo, acionista-controlador do banco. O valor vai reforçar o caixa do Governo do Estado e poderá ser revertido em investimentos.
Na avaliação do coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire, os resultados positivos do Banestes jogam por terra a máxima ultraliberal que defende que as empresas públicas são sempre deficitárias e devem ser vendidas porque representam um peso para o Estado. “Ano após ano os números do Banestes têm mostrado que empresas públicas podem ter resultados positivos e ainda desempenhar um importante papel social. Falta ao banco não perder de vista o seu compromisso principal, que não pode ser jamais o lucro pelo lucro. Quando se preocupa apenas em lucrar, o Banestes se distancia do seu propósito e passa a ser um banco como outro qualquer. Não é isso que os capixabas querem para o Banestes”.
Na divulgação dos resultados, o Banestes informou que tem atuado como o principal banco credor do Estado em atenção à população que sofre impactos econômicos decorrentes da pandemia do novo coronavírus. Segundo o Banestes, foram disponibilizados em linhas de crédito emergencial mais de R$ 250 milhões este ano. Cerca de R$ 203 milhões, segundo o banco, foram liberados em mais de 1.800 contratos.
Para Jonas, em meio a uma crise sanitária sem precedentes, as empresas públicas e privadas, de maneira geral, deveriam priorizar vidas. “O que vemos, entretanto, especialmente no setor financeiro, são os bancos pondo o lucro na frente das vidas. Por isso os bancos públicos têm tido um papel crucial nessa crise”. Ele explica que não está se referindo apenas à abertura de linhas de crédito emergenciais, mas também ao compromisso do banco em assegurar os postos de trabalho dos seus empregados e garantir seus direitos. “Gerar trabalho e renda e tratar seus empregados com dignidade também deve ser compromisso de um banco público”, assinala.
“É essa expectativa que temos em relação ao Banestes. Por isso o Sindicato critica tão veementemente o processo de terceirização em curso, que não deixa de ser um passo em direção à privatização do banco”.
Jonas lembrou ainda que o Sindicato está em processo de negociação com o banco e espera que os dirigentes da instituição tenham sensibilidade para atender analisar as reivindicações entregues ao banco. “Se o banco está acumulando resultados positivos, deve reconhecer que é graças ao trabalho dos seus empregados. São os bancários e as bancárias do Banestes que todos os dias fortalecem o banco”, destaca o dirigente.
Outros números
Além do lucro de R$ 125 milhões, a margem financeira líquida avançou 13,1% e o resultado operacional da instituição elevou-se em 29,3%. O patrimônio líquido do Banestes no primeiro semestre de 2020 alcançou o valor de R$ 1,6 bilhão, 3,5% superior ao mesmo período de 2019. A Carteira de Crédito Ampliada atingiu o montante de R$ 7,5 bilhões em junho de 2020, maior 9,8% sobre a posição de dezembro de 2019 e superior 17,9% em doze meses. A Carteira de Crédito Comercial (Conceito Bacen) alcançou R$ 4,7 bilhões, crescendo 11,0% no ano e 12,2% em 12 meses. A estratégia da Instituição prioriza carteiras com menor risco, utilizando adequada política de crédito.
O Índice de Eficiência Operacional fixou-se em 49,1% e o Índice de Eficiência Operacional Ajustada ao Risco foi de 54,8%, ambos com ganhos de performance em 2,3 pontos percentuais (p.p.) e 3,8 p.p. em relação ao mesmo período de 2019, respectivamente.
A Inadimplência (> 90 dias) da Carteira de Crédito Ampliada encerrou junho de 2020 em 2,2%. A inadimplência da Carteira de Crédito Comercial no período foi de 3,5%. As despesas com provisões de crédito geradas nos últimos 12 meses representaram 1,9% do total da Carteira de Crédito Ampliada.
As receitas com serviços no trimestre atingiram R$ 87 milhões e acumularam no semestre R$ 177 milhões, estável (+0,1%) contra o primeiro semestre de 2019.









