A minuta de reivindicações específica do Banestes na Campanha Salarial 2024 foi aprovada por 98,11% dos bancários que participaram da assembleia virtual realizada de quarta a quinta-feira desta semana. Saúde e condições de trabalho e as pautas econômicas, com reposição da inflação mais 10% de aumento real, estão na pauta. Banescaixa, Remuneração Estratégica Variável (REV), defesa do Banestes público e estadual e Fundação Banestes são outros eixos em destaque.

Para a dirigente do Sindibancários Vanessa Espíndula, o adoecimento foi um tema que sensibilizou a categoria nas discussões realizadas durante a Conferência Estadual dos Bancários, quando começou a construção da minuta. “Não há mais como o Banestes contornar essa realidade. A dirigente adverte que as metas estão na raiz do adoecimento, sobretudo o mental. “O tema rompeu a discussão nas bases e está na minuta da Conferência Nacional dos Bancários”, ressalta Vanessa, se referindo ao eixo fim do assédio e dos instrumentos adoecedores na cobrança de metas.

Banescaixa

O adoecimento tem repercussão direta na discussão sobre a Banescaixa. “Hoje são as aposentadas e os aposentados que estão deixando o plano porque não conseguem mais pagá-lo, mas amanhã pode ser qualquer um de nós. Buscar soluções para termos um plano fundamentado nos princípios da solidariedade, sustentabilidade e perenidade é um desafio de todos”, assinala a dirigente.

Nas discussões em torno do plano, um dos gargalos apontados pelo dirigente Jonas Freire é a morosidade do Banestes para implantar o Grupo de Trabalho (GT) que tem a incumbência de buscar soluções para a Banescaixa. Ele lembra que a proposta de criação de um GT para discutir o Banescaixa surgiu pela primeira vez no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2016-2018. “Depois disso, a criação do GT foi ratificada nos Acordos seguintes até o atual”. Ele diz que o GT teve sua primeira reunião em fevereiro deste ano, mas o Banestes travou novamente as tratativas. “Uma segunda reunião foi cancelada em cima da hora. Estamos oficiando o Banestes para definir uma nova data”.

O dirigente Carlos Pereira de Araújo (Carlão) diz que a busca de soluções para o plano de saúde passa pela instalação efetiva do GT. “O Banestes precisa fornecer todos os dados do plano aos integrantes do GT para que possamos, a partir daí, desenvolver um estudo e encontrar soluções para a Banescaixa. O Banestes só precisa cumprir o ACT”, diz Carlão.

Vanessa acrescenta que o Banestes precisa resgatar seu papel social de banco público e estadual. “O Banestes abandonou sua vocação social  e se voltou para a lógica de mercado”.

Eixos econômicos

Nos eixos que mexem diretamente no bolso das banestianas e dos banestianos, a proposta aprovada prevê a reposição da inflação mais 10% de aumento real. “É preciso repor as perdas históricas que os banestianos vêm acumulando ao longo dos anos. A curva de lucro do Banestes está em franca ascensão desde 2019. Naquele ano o Banestes registrou lucro de R$ 112 milhões. Em 2023 esse resultado saltou para R$ 371 milhões: mais de 230% de crescimento em quatro anos”, aponta Jonas.

Outro ponto com lugar cativo na mesa de negociações é a REV. “Esse é um tema em discussão, mas o debate vai caminhando para um modelo que contemple a REV linear. É preciso que o Banestes jogue luz e democratize as informações relacionadas à REV para podermos avançar”, pontua Carlão.

A reivindicação de um Plano de Cargos e Salários (PCS) é antiga. O Banestes, ressalta Vanessa, precisa apresentar uma proposta de PCS para o Sindicato avaliar em conjunto com uma consultoria técnica o melhor modelo. “A partir daí, teremos um ponto de partida para amadurecer a discussão com a categoria por meio de plenárias. Ao final dessa rodada de debates, seriam apresentadas as eventuais melhorias na proposta original. Assim como a Banescaixa, a proposta de um PCS irá avançar se o processo for transparente e democrático”, afirma.