Mobilização pela saúde mental circula o Estado e comove bancários

28/03/2024 16:36

Lastro científico da pesquisa dá ferramentas de negociação capazes de melhorar a realidade da categoria

A campanha pela saúde dos bancários continua rodando as agências no Espírito Santo. Nesta quarta-feira (27), os dirigentes do Sindicato estiveram na superintendência da Caixa, em Vitória, e nesta quinta (28), foi a vez das agências de Guarapari receberem a ação sindical. A ideia é conscientizar cada vez mais bancários a responderem a pesquisa “Levantamento das condições de saúde mental do bancário e da bancária do ES e das Representações Sociais sobre saúde mental e sindicato“.

A mobilização teve início dia 12 de março, e o diretor de saúde do Sindicato, Ronan Teixeira, considera que o balanço até agora é muito positivo. “As pessoas estão respondendo, o bancário capixaba está se envolvendo com a pesquisa, tem buscado conversas com a nossa Secretaria”, conta, acrescentando que é importante a continuidade da mobilização para que o recorte capixaba seja plenamente atingido.

A partir dos resultados da pesquisa, “a gente realmente vai virar uma página e partir para um próximo momento, de acabar com o adoecimento e começar a partir de agora com políticas mais assertivas que primem pela saúde do trabalhador Capixaba. Com saúde, o bancário e mais uma vez voltar a ter a esperança de um trabalho dignificante que seja promessa de vida. Um trabalho que seja muito mais do que simplesmente uma máquina de moer gente nesse modelo que a gente precisa interromper”, enfatiza.

O coordenador da gerência executiva de governo da Caixa em Vitória, Wildes Krohling, se sentiu tocado pela apresentação da esquete apresentada para retratar os bancários e bancárias, e também pelo convite à participar da pesquisa. Ele falou que vai ajudar a mobilizar mais colegas, e sugere que outros bancários façam o mesmo. “Foi mostrado ali uma série de situações que representam que quase metade da categoria está apresentando algum sinal de afastamento relacionado à saúde mental: estafa no trabalho, outro tipo de ansiedade… Isso cria um alerta para nós, bancários, como categoria e como cidadãos também, porque a gente perde os colegas e as colegas que adoecem. Não só na questão trabalhista, mas também na questão pessoal”, relatou.

A bancária Eliana de Almeida Carvalho também elogiou a iniciativa, e entende que seja fundamental o conhecimento para o combate às doenças mentais. “Acho muito interessante trazer esse tema pra gente, ainda tem muito tabu sobre a depressão, então a gente precisa trazer a tona para inclusive conseguir formas de tratamento. A gente pode buscar acolhimento e tratamento, mas pra isso a gente precisa saber sobre as doenças, e se conscientizar”, disse.

 

Pesquisa

A professora da Ufes Roberta e dois estudantes estiveram na ação em Vitória. Ela celebrou o histórico da parceria entre a Ufes e o sindicato, e enfatizou que o papel da universidade também é gerar conhecimento em prol de melhorar a vida dos trabalhadores. “O conhecimento é poder, e para a gente poder fazer frente a esse adoecimento e a esse cenário que não pode ser naturalizado, a gente precisa compreender profundamente a situação. Isso vai nos fortalecer enquanto categoria para negociar, formular as demandas que são necessárias”.

A professora explicou que a pesquisa acontece em várias etapas, desde o projeto, com metodologia para garantir o sigilo de todas as pessoas e que o questionário é extenso porque as questões de saúde mentais são complexas. “Responder o questionário vai dar trabalho e vai gastar um tempinho, mas é um tempo que vai ser um investimento na própria categoria. É a forma de contribuir para a luta pela saúde, e isso é muito importante para todos nós”.

 

Confira as fotos de Sérgio Cardoso: