O fechamento do trânsito foi só por vinte minutos, para chamar a atenção da população – Fotos: Fabio Vicentini

Moradores do Centro de Vitória e bancários realizaram na manhã desta quarta-feira, 8, manifestação na Praça Costa Pereira contra o fechamento da agência Banestes Graciano Neves e, por vinte minutos, a Avenida Jerônimo Monteiro ficou com o trânsito paralisado. Os motoristas receberam panfletos com a denúncia de esvaziamento do Centro e do papel social do banco público e estadual patrocinado pelo Governo Renato Casagrande. O abaixo-assinado contra o fechamento da agência Graciano Neves já conta com quatro mil signatários, mas o governo segue ignorando a vontade popular.

No ato público com café da manhã organizado pela Associação de Moradores do Centro de Vitória (Amacentro), com apoio do Sindicato dos Bancários e da Associação de Moradores do Parque Moscoso, que começou às 7h30, presença de moradores da região, especialmente idosos que utilizam a agência, comerciantes, do vereador de Vitória Roberto Martins (PTB), do deputado estadual Sergio Majeski(PSB), de sindicalistas e pessoas que trabalham no entorno da agência.

Após a manifestação, uma comissão de moradores do Centro foi recebida no Pallas Center pelo diretor de Rede do Banestes, Fernando Valli Cardoso. O presidente interino do banco, Alcio de Araújo, que havia agendado a reunião, apenas apareceu para cumprimentar os presentes, mas não ficou para dar explicações sobre o fechamento da agência.

Depois de ouvir a comissão, formada por diretores de associações de moradores, representantes dos idosos, da Igreja, de produtores culturais, do samba e dos comerciantes, o Banestes, por meio do Diretor de Rede, foi enfático ao dizer que o fechamento da agência está confirmado para esta sexta-feira, dia 10.

Valli Cardoso afirmou apenas que vai levar os apelos da comissão ao presidente do banco e recebeu a segunda remessa do abaixo-assinado contra o fechamento da unidade, totalizando quatro mil signatários no documento proposto pelo Sindicato dos Bancários.

“Nossa avaliação é que o banco está irredutível. Vamos agora buscar o governador Renato Casagrande”, afirmou o presidente da Amacentro, Lino Feletti. Durante a reunião, Lino destacou: “Não fomos chamados para conversar sobre essa proposta de fechamento da agência. Soubemos pelo Sindicato dos Bancários e levantamos a posição dos moradores do Centro. Estão todos indignados. O Centro de Vitória é onde mora a maioria dos idosos da capital, principalmente a partir da Costa Pereira. Se fechar a Graciano Neves, como vai ficar a segurança dessas pessoas, que vão ter que ir até a Praça Oito? O Estado não tem dado conta de cumprir com o seu dever constitucional de garantir a segurança”.

“O banco não está pensando no lado humano, nas questões sociais que trouxemos. Apenas na parte técnica”, avalia o ex-presidente da escola de samba Piedade, Robson lima Lessa.

O diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória (CDL) Sidney da Costa Ferreira também apelou para que a agência não seja fechada na sexta-feira. “Assim como no passado a privatização do Banestes foi revista porque não seria bom para o Estado, nós pedimos que a agência não seja fechada e que vocês levem ao governador e ao presidente do banco a solicitação de que analisem novamente a situação a partir do que colocamos aqui hoje”. Ele destacou que a proposta contraria o propósito do próprio governo de trazer para o Centro órgãos públicos.

A moradora Amélia da Penha Nunes, 80 anos, há 75 moradora da Rua 7, falou ao diretor do Banestes que espera do governo do Estado “sensibilidade com os idosos”. Ela lembrou do risco de atravessar a avenida Jerônimo Monteiro para chegar até a outra agência caso a Graciano Neves encerre suas atividades, além da insegurança na região da Praça Oito, onde fica a unidade mais próxima. “Ontem eu fui chamar alguns conhecidos para o protesto de hoje e já ouvi de muita gente idosa que vai tirar o dinheiro do banco, porque não vai continuar no Banestes se a agência daqui fechar”, afirmou, ressaltando o prejuízo para o banco.

Também participaram da reunião com a direção do Banestes a produtora cultural Stael Magesck, o pastor da Igreja Presbiteriana Unida Cláudio Soares, a conselheira de Segurança da Regional 1 Rosilene de Sá e o presidente da Associação de Moradores do Parque Moscoso, Valdeni Fagundes Ferraz.

Para o coordenador do Sindicato dos Bancários, Jonas Freire, essa mobilização dos moradores do Centro é de suma importância para o movimento em defesa do Banestes público e estadual. “Precisamos unir forças para resistir ao projeto de esvaziamento do banco. Não podemos permitir que a direção do Banestes pense no banco como uma instituição privada. O banco público tem um papel a cumprir. Disso não vamos abrir mão”, afirma.