O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocupa desde segunda-feira, 21, a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Torquato, município de Vila Velha. As ocupações acontecem também em outras sedes do Incra no Brasil como parte das ações da Semana Camponesa, realizada pelo MST nas cinco regiões do país, em alusão ao Dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural, celebrado em 25 de julho. No Espírito Santo, são 1.400 famílias acampadas e cerca de 3 mil famílias assentadas vinculadas ao MST.
Com o lema Para o Brasil alimentar, Reforma Agrária Popular! , os camponeses pedem o avanço das políticas de reforma agrária e manifestam repúdio aos retrocessos impostos pelo Congresso Nacional – como o chamado PL da devastação, que facilita licenças ambientais para grandes obras em detrimento da preservação do meio ambiente, e outras propostas que criminalizam os movimentos populares.
Lia Fernandes, da Direção Nacional e Estadual do MST, afirma: “Estamos aqui no Incra com 300 famílias vindas de acampamentos e assentamentos do MST no Espírito Santo. Reivindicamos o aumento do orçamento do governo federal para fins de reforma agrária, para que as famílias acampadas sejam assentadas, e também políticas públicas para o desenvolvimento dos assentamentos. Então é uma pauta por terra, educação no campo, por crédito e por teto. Um dos nossos lemas é ‘Lula cadê nossa reforma agrária?”. Precisamos que o governo federal seja mais incisivo contra as forças que impedem a reforma agrária”.
Soberania
No manifesto nacional do MST, trabalhadores e trabalhadoras rurais demonstram preocupação com as crescentes ameaças à soberania nacional – citando as ações do presidente dos Estados Unidos Donald Trump –, ao meio ambiente e aos direitos do povo camponês. O movimento lembra que a soberania popular e nacional também é ameaçada dentro do Brasil, “com a subordinação da agricultura às empresas transnacionais e com ações do Poder Legislativo, representante dos interesses do agronegócio e da mineração”. O manifesto ressalta que “soberania nacional só é possível com soberania alimentar, que se constrói com agricultura familiar e reforma agrária”.
A Semana Camponesa vai até esta quinta-feira, 24, e está sendo marcada por ocupações, mobilizações, ações simbólicas e diálogo com a sociedade em todo o país.
Fotos: Sérgio Cardoso

