Mulheres convocam atos do 8 de março

06/03/2023 11:08

Em Vitória, a concentração será na Praça Getúlio Vargas, no Centro, às 14h

O Dia Internacional de Luta das Mulheres, 8 de março, se aproxima e já mobiliza segmentos organizados de mulheres em todo o Estado. Em Vitória, a tradicional marcha das mulheres acontecerá na quarta-feira, no dia 08, a partir das 14h, na Praça Getúlio Vargas, no Centro, com o lema “Pela vida as mulheres: por direitos, derrotar os fascistas”.

Nas cidades de Colatina e Cachoeiro de Itapemirim também há previsão de atividades. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Colatina (SISPMC) convida para uma roda de conversa sobre mulheres e mercado de trabalho, na terça-feira, 07, às 18h30, na sede da entidade. Em Cachoeiro, o 8 de março começa com ato público a partir das 8h, na Praça Jerônimo Monteiro, para denunciar as formas de violência e assédio que atingem as mulheres. A programação será encerrada com atividade cultural, a partir das 18h, no Moustache Bar e Pub, no bairro da Independência.

Violência contra a mulher cresceu em 2022, aponta estudo

Pesquisa do Instituto Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontou que todas as formas de violência contra a mulher apresentaram crescimento acentuado em 2022. A 4ª edição da pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil” trouxe dados inéditos sobre diferentes formas de violência física, sexual e psicológica sofridas por mulheres com 16 anos ou mais no ano passado, com resultados preocupantes.

Segundo estudo, 28,9% das mulheres relatam ter sido vítima de algum tipo de violência ou agressão, a maior prevalência já verificada na série histórica, com crescimento de 4,5 pontos percentuais em relação à última pesquisa.

Dentre as formas de violência citadas estão ofensas verbais (com 23,1% de prevalência); perseguição (13,5%); ameaças (12,4%); agressão física como chutes, socos e empurrões, com (11,6%); ofensas sexuais (9%); espancamento ou tentativa de estrangulamento (5,4%); ameaça com faca ou arma de fogo (5,1%); lesão provocada por algum objeto que lhe foi atirado (4,2%); e esfaqueamento ou tiro (1,6%).

Relacionando os indicadores de violência e a projeção população, o estudo estima que, em média, 18,6 milhões de mulheres acima de 16 anos tenham sofrido alguma forma de violência em 2022.

Violência praticada por parceiros

De acordo com o estudo, 33,4% das mulheres brasileiras com 16 anos ou mais experimentou violência física ou sexual provocada por parceiro íntimo ao longo da vida. 24,5% afirmaram ter sofrido agressões físicas como tapa, batida e chute, e 21,1% foram forçadas a manter relações sexuais contra sua vontade. Se incluída a violência psicológica, como humilhações, xingamentos e insultos de forma reiterada, o percentual de mulheres que sofreu alguma forma de violência por parceiro íntimo chega a 43%.

Motivações

Entre as possíveis causas para o agravamento dos números de violência, o estudo destaca o desfinanciamento de políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, já que 2022 foi o ano com a menor alocação orçamentária para o enfrentamento da violência contra as mulheres na última década; as dificuldades geradas pela pandemia, que afetou de alguma maneira os serviços de saúde, assistência social, segurança e justiça; e, por fim, o crescimento de movimentos ultraconservadores que atacam a igualdade de gênero.

“Vivemos um momento em que velhos preconceitos são reavivados e alimentados por grupos que, em nome de uma pretensa ‘defesa da família’, patrocinam a morte e a violência contra a mulher em todas as etapas da vida. Combater o fascismo é essencial para reduzir as desigualdades de gênero, e faremos isso ocupando as ruas nesse dia de luta. Queremos políticas públicas que proporcionem condições de vida dignas e seguras para as mulheres, mas também lutamos por transformações profundas que combatam a exploração da classe trabalhadora”, afirma a diretora do Sindibancários/ES Cláudia Garcia de Carvalho, que é secretária de Mulheres da entidade.