Mulheres defendem manutenção do auxílio emergencial durante pandemia

04/03/2021 09:33

Se a pandemia impôs dificuldades emocionais e financeiras para quase todas as pessoas, o que dizer daqueles que perderam o emprego ou ficaram impedidos de trabalhar, perdendo toda a sua fonte de renda? Esse foi o caso da massoterapeuta Esther Godoy, para quem o recebimento do auxílio emergencial foi determinante.

Esther, na casa onde mora atualmente, em Ponta da Fruta (Fotos: Sérgio Cardoso)

“Foi desesperador não poder trabalhar. Quando começou o auxílio, pude alugar um quitinete. Usei basicamente para pagar o aluguel. Era um espaço precário, mas se não fosse isso, não teria sequer onde morar”.

O depoimento é de Esther Godoy, uma jovem massoterapeuta que aos 30 anos teve a vida solapada pela pandemia, como tantas outras mulheres trabalhadoras. Mãe de uma menina de 7 anos, Esther está entre as 68 milhões de pessoas que receberam o auxílio emergencial em 2020. Beneficiária do Bolsa Família, ela integrou automaticamente o cadastro do Governo Federal para receber o pagamento, que começou a ser creditado em abril.

Esther Godoy e a filha, Aimee Godoy, de 7 anos

 

Antes da pandemia, Esther tinha planos de se mudar para Portugal em busca de uma vida melhor. Às vésperas da viagem, foi surpreendida pelas restrições de deslocamento, tendo que permanecer no Brasil. Durante praticamente todo o ano de 2020, sua única fonte de renda foi o auxílio emergencial. Além de ser trabalhadora autônoma, estando portanto mais vulnerável nos períodos de instabilidade econômica, sua profissão possui características ainda mais limitadoras na crise sanitária. “Como massoterapeuta, trabalho diretamente com o toque, e na pandemia a gente não podia tocar ninguém. Eu simplesmente não trabalhei por muitos meses”, relata, com a voz a aflita de quem aciona uma memória dolorosa.

Como mãe de família monoparental, Esther recebeu as nove parcelas do auxílio — cinco de R$ 1200 e quatro de R$ 600 — e tem consciência do quanto o benefício foi importante para sua sobrevivência. Quando o pagamento foi suspenso, em dezembro, se viu novamente desprotegida, e teve que contar com a solidariedade de amigos para se manter. Ela ainda amarga as consequências do corte do benefício e aguarda ansiosa a decisão do governo e do Congresso Nacional sobre a continuidade do programa, mesmo sabendo que, se aprovado, o valor estimado de R$ 250 ao mês  (R$ 500, no caso dela) estará longe de suprir as necessidades cotidianas.

“Se R$ 1200 já não atendiam, imagina R$ 500. Dá no máximo pra pagar algumas contas. Mas a gente continua se virando como pode. Se eu tivesse o auxílio hoje, minha vida estaria mais estabilizada”, conta ela, que diante da incerteza sobre o pagamento do benefício, precisou se mudar do Centro de Vitória para a Ponta da Fruta, bairro de Vila Velha que fica a cerca de 30 km da capital, em busca de um espaço menos insalubre e com aluguel mais barato.

A dificuldade de obter trabalho para complementar renda obrigou Esther a se manter afastada da filha por algum tempo. “A casa onde morava não podia oferecer o mínimo de conforto para ela. Depois, com o apoio da família, consegui me estruturar melhor para estarmos juntas de novo”. Hoje, apesar do alto risco de contágio, Esther tenta retomar seus atendimentos, refazendo sua carteira de clientes.

Uma história que se repete

Infelizmente, Esther é apenas uma entre tantas trabalhadoras que tiveram sua condição de vida fragilizada em função da pandemia. O Governo ainda define se vai renovar o pagamento do auxílio e em que condições. Em pronunciamento recente, o presidente Jair Bolsonaro indicou o pagamento de quatro parcelas de R$ 250 a partir de março — valor que deve atingir aproximadamente 40 milhões de pessoas.

Para quem sente na pele os danos da crise econômica e sanitária, não resta dúvida de que o valor será insuficiente. Por isso, uma das reivindicações das mulheres no 8 de março deste ano – Dia Internacional de Luta das Mulheres, é justamente a manutenção do valor de R$600 e a ampliação da cobertura do auxílio emergencial até o final da pandemia.

“É o mínimo para garantir proteção social  às mulheres nesse contexto de crise econômica e sanitária. A ocupação de homens e mulheres no mercado de trabalho é desigual, e a pandemia atingiu vários setores onde a presença feminina é marcante, elevando esse contraste”, afirma a diretora do Sindibancários/ES Lindalva Firme.

Dados da Pnad Contínua (IBGE) confirmam a análise da diretora. No terceiro trimestre de 2020, o Brasil atingiu índice de desemprego de 14,6%, o que corresponde a 14,1 milhões de pessoas — um aumento de 1,3 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Observado o critério de gênero, a taxa de desocupação foi de 12,8% para homens e de 16,8% para mulheres. Em relação à população ocupada, as mulheres, apesar de serem a maioria em idade de trabalhar, representavam apenas 43% do grupo, ante 57% de homens.

Vacina para todos

Além da dificuldade de conseguir emprego, o retorno das mulheres ao mercado de trabalho também é protelado pela ausência da vacinação. “A falta de vacina impede que muitos retornem ao trabalho, mantém o risco de contágio para toda a população e ainda sacrifica as mulheres, que exercem quase que exclusivamente as tarefas domésticas e de cuidado”, explica Claudia Garcia, diretora do Sindicato.

A vacinação para todos e a defesa do Sistema Único de Saúde também compõem as bandeiras de luta desse 8 de março, como políticas públicas essenciais à vida.

Mulheres planejam atividades em todo o Estado

Neste ano, a programação do 8 de março no Espírito Santo vai reunir um conjunto de atividades políticas e culturais, com agendas virtuais e presenciais. Nestas, não esqueça, vá de máscara, leve seu álcool gel e mantenha o distanciamento entre os participantes.

“É importante que as bancárias acompanhem a programação. Sabemos que o governo federal tem menosprezado a gravidade da pandemia e contribuído para a disseminação do vírus ao incentivar o fim do isolamento, negar a eficiência da vacina e do próprio uso de máscara.  A escassez de recursos para o enfrentamento da doença e a má gestão do plano de vacinação completam esse quadro. As conquistas que obtivemos até aqui, como o auxílio emergencial durante 2020, foram fruto de grande pressão popular. E no 8 de março temos a oportunidade de levantar nossa voz mais uma vez contra essa política genocida e pela vida das mulheres”, convida Cláudia, que integra a comissão de organização do 8 de março representando o Sindicato.

💜💜Calendário do 8 de março de 2021💜💜

06/03, 8h30 – São Mateus: Carreata
Concentração: Ponto Maria Amélia (Posto da Águia Branca)

06/03, Cachoeiro: Intervenção Visual através de outdoor e faixas em pontos estratégicos da cidade com o mote do 8 de Março.

06/03, 08:30h- Cachoeiro: Ato Público Pela Vida das Mulheres: Fora Bolsonaro e Mourão
Local: Praça Jerônimo Monteiro

06/03, 09h – Vitória: Oficina de Batuques e Ensaio do Cancioneiro
Local: UFES Goiabeiras, próximo à cantina do Honofre

06/03, 15 às 17h – Sarau Cultural (Virtual)
Local: Insta do Círculo Palmarino
Homenageada: Penha Rocha

06/03, 14h- Ação de solidariedade
Local: Centro de vivências em Feu Rosa

07/03, 08h30 – Vitória:
Roda de conversa e auto cuidado
Local: Jesus de Nazaré

08/03, 15h – Vitória: Ato Público
Local: Concentração em frente à Casa Porto no Centro

08/03, 09h- Serra: Intervenção político cultural
Local: Praça das Águas em Laranjeiras

08/03, 17h – Alegre: Ato Público
Local: Praça Seis de Janeiro

08/03, 18:30h – Guarapari Ato Público
Local : Praça de Muquiçaba

08/03, 19h – Aracruz: Roda de leitura e debate sobre a luta das mulheres (Virtual)
Plataforma: Google meet

Dia 8/03, 05h – Cariacica – Fincada de Cruzes e ato silencioso até as 09horas da manhã.
Local: BR 262 na entrada da segunda ponte sentido Cariacica- Vitória.

Dia: 08/03, 19h – Cariacica – Projetaço
Local: Câmara de vereadores de Cariacica

09/03, 17h – Alegre: Encontro Presencial do Projeto Insubmissas
Tema: Os Direitos das Mulheres
Local: Assentamento Floresta

10/03, 16h – Alegre: Encontro com Amanda Bonadiman
Tema: Ciclo Menstrual: Um aliado na luta contra o patriarcado
Local: Jardim da Prefeitura

11/03, 16h – Alegre: Encontro Presencial do Projeto Insubmissas
Tema: Os Direitos das Mulheres
Local: Querosene

11/03, 20h – Alegre: Encontro do Projeto Insubmissas (Virtual)
Tema: Maternidade Real
Convidadas: Amanda Bonadiman e Raquel Sacramento
Plataforma: Instagram

12/03 18h30Vitória: Cine Por Elas
Local: Rua Vitor Finamori n 46, Bairro da Penha

12/03, 19h Alegre: Encontro Presencial do Projeto Insubmissas
Tema: Os Direitos das Mulheres
Local: Vila Alta

13/03, 9 hAracruz: Ato por justiça por Marielle e pelo fim da violência política contra as mulheres
Local: Praça São João Batista.

13/03, 16hAlegre: Encontro Presencial do Projeto Insubmissas
Tema: Os Direitos das Mulheres
Local: Lagoa Seca

13/03, 14h – Serra: Roda viva: Mulheres empreendedoras x Enfrentamento a violência contra a mulher

Local: Escola Estadual Manoel Lopes em Taquara

14/03, 15h – Alegre: Ato “Pelo fim dos feminicídios políticos: Justiça por Marielle”
Local: Praça Seis de Janeiro

27/03, 8 às 18hCurso de Formação Política (virtual)
Tema: Feminismo – Vertentes e Prática Política
Formadora: Lívia Moraes
Organização: Projeto Escola de Estudos Críticos
Inscrições: falar com Lara Gobira (27 99235-0088)

Acompanhe outras informações sobre o 8 de março nas redes do Fórum de Mulheres /ES

instagram.com/forumdemulheres.es 

facebook.com/forumdemulheres.es

Leia o manifesto nacional e o manifesto estadual do 8 de março